22.5.10

Disse-me-disse

Um de meus vizinhos está hospitalizado e a outra vizinha, a Isolete, uma macumbeira que não bate muito bem, segundo contam - embora uma coisa não tenha nada a ver com a outra - foi dizer, na porta da família do doente, que o sujeito vai bater as botas em poucos dias. Nada muito anormal se ela tivesse dito isso apenas por maldade, procedimento recorrente no mundo dos vizinhos, e não incorporada de sua entidade, supostamente, a Cabocla Justina, gritando pela rua, sem chinelos, na chuva e com os cabelos todos desgrenhados - depois falam do meu! - como de fato aconteceu. A mãe de Isolete, dizem, era uma velha louquíssima que curava arca caída; pessoas vinham de todos os lugares pra se benzer. Minha mãe, por sua vez, a pessoa mais fofoqueira que conheço, como se sabe - já disse a ela pra editar um jornal anônimo e vender por um preço popular, o Disse-me-disse - minha mãe contou a história na mesa, ontem, durante o almoço, pra toda a família, cheia de interesse. Meu pai, que anda cada vez com menos paciência, se resumiu a dizer: ah, uma cobra com bastante fome! Ultimamente, aliás, ele anda repetindo o adágio pra expressar sua opinião sobre qualquer coisa - como fazia, aliás, a minha bisavó, que vivia dizendo pras minhas tias, quando elas arrumavam um namorado novo: formiguinha que quer voar cria asas!

Um comentário:

jean mafra em minúsculas disse...

ahaahahahahhaahhahahah - victor, tua família é ótima (e o pior é que a gente fica com vontade de conhecer teus pais...).