31.5.10

Emma Bovary c'est moi

Dia destes uma amiga me perguntou qual o personagem da história da literatura eu gostaria de ser. Fiquei entre Macunaíma e Emma Bovary. Sinceramente, eu não sei porque a Madame Bovary se mata no final. Não fazia nada da vida, lia o dia inteiro, não tinha filhos, vivia na boa, tinha dois maridos - um pra sustentá-la e outro apenas pra lhe proporcionar prazeres sexuais - e ainda, salvo engano, pois faz tempo que eu li o romance, não apanhava de nenhum deles. E ainda deviam ser bonitões. Pelo menos um deles. O outro era rico; bastava. Em outras palavras, Emma Bovary é uma espécie de Rê Bordosa francesa. Quando perguntado de onde tinha tirado a Rê Bordosa, Angeli responde a mesma coisa que Flaubert disse sobre Bovary: Rê Bordosa sou eu! A Madame Bovary, por ser uma madame, só não dizia palavrão. No caso, imaginava. Também não bebia; dizem. Mas sua vida, mesmo assim, convenhamos, era demais de boa. Emma Bovary c'est moi, disse Flaubert, no tribunal, após ser acusado de ofensa à moral e aos bons costumes. Rapaz esperto.

Um comentário:

Anônimo disse...

prefiro a capitu, que dá um galho no bento e ainda ganha uma viagem pra suíça.