24.5.10

Literatura não é kinder ovo

Fico chateado com a idéia de que as últimas cenas de um livro - ou de um filme, tanto faz - não podem ser contadas no boteco. Aliás, o começo pode? E fica ainda pior quando quem faz a queixa é um estudante de literatura. É como se a lógica da narrativa e do sentido fosse maior ou mesmo determinasse a força da imaginação. De minha parte, adoro ouvir os finais, pois inclusive dá pra comparar o final contado com o final visto. Na verdade, não faz nenhuma diferença. Se final fosse importante, a segunda leitura de um livro não seria melhor do que a primeira; não teria graça assistir a adaptação que Orson Welles fez do romance de Kafka, pois se sabe que o protagonista morre na última cena; e não seria divertido dormir - e nem mesmo namorar! - no cinema, pois você pode perder cenas importantes. Ai, não conta, tira toda a surpresa!, reclamam. Daí respondo: literatura não é kinder ovo.

2 comentários:

gilvas disse...

budistas, de alguma linha, poderiam dizer que estas pessoas não sabem apreciar o caminho, o que, segundo aqueles budistas do começo, seria mais interessante do que o destino.

Í.ta** disse...

taí uma boa resposta!