7.6.10

Garrafa Térmica

Jamais pude esquecer o primeiro prêmio que ganhei em um velho concurso de poemas que havia no bairro: uma garrafa térmica. E jamais pude entender porque diabos escolheram precisamente uma garrafa térmica para premiar um aspirante a poeta. Que fosse então um caderno, um jogo de canetas, uma lapiseira bacana, mas uma garrafa térmica? Provavelmente a organização do concurso lembrou que o vencedor - eu, no caso - deveria receber seu prêmio naquela tarde (lembro que era uma tarde bem quente de dezembro, pois cheguei suando no lugar) e alguém correu no supermercado, duas horas antes, pra comprar o primeiro objeto que encontrasse pela frente. A hipótese ainda pior é de que a garrafa térmica era usada; segundo esta hipótese, a lembrança de que o vencedor do concurso deveria receber o prêmio naquela tarde só ocorreu aos organizadores quando eu me apresentei na recepção. A questão é que durante todo o tempo que passou, da premiação até hoje, quase dez anos, a garrafa térmica teve significações e afetos muito variados na minha imaginação. Quando conheci a obra de Duchamp, por exemplo, passei a considerar a garrafa térmica um prêmio interessante, talvez até original, como queira, através de um procedimento de atribuição errônea. No entanto, a minha história com a garrafa térmica nem sempre foi tão boa.

8 comentários:

Anônimo disse...

precisa conhecer duchamp para aprender a dar valor às coisas simples da vida? uma pedra é uma pedra, já diria fernando pessoa e uma garrafa térmica, ora, até que é um prêmio bem útil a um poeta.

Victor da Rosa disse...

jamais usei a garrafa térmica. deixo guardada ao lado das medalhas que conquistei em campeonatos de xadrez. é meu grande troféu literário.

gilvas disse...

ora, como troféu, a garrafa já é bem interessante. mas há o lado prático: a garrafa térmica pode estar cheia de café, chá ou choconhaque, aditivos necessários ao poeta nestes dias frioas à escrivaninha.

Anônimo disse...

Chimarrão pra acordar as palavras e chá de capim limão pra colocar todas pra dormir. A garrafa térmica e sua ótima serventia: água quentinha na hora.

Anônimo disse...

viu, chatinho, todo mundo concorda que a térmica deve ser usada. isso nem a distutui de seu valor de troféu, já que é isso que te preocupa, só faz com que seja um troféu-útil (o que já é bastante subversivo para a idéia de trofeu) para um poeta.
dar utilidade às coisas, que maravilha!

Fábio Brüggemann disse...

guarda a garrafa como troféu mesmo, e compra outra pra usar, uai.

Christiano Scheiner disse...

molha os anônimos com ela!

Anônimo disse...

olha chris, com o frio que tá fazendo eu nem ia reclamar.