10.6.10

São Cristovão #1

Tenho pouca lembrança do único dia em que joguei futebol no time do São Cristovão; só lembro que não joguei muito bem. Depois do jogo, nos vestiários – vestiários de campos de várzea são ambientes bem estranhos, principalmente depois de um jogo – meu pai ainda tentou culpar o treinador pelo desempenho abaixo da média de seu filho. Disse que a posição em que eu renderia como jogador era a posição de volante. Então escala pra trabalhar no táxi, respondeu o Camisa. Meu pai era taxista.

A verdade é que nunca gostei muito de jogar futebol de campo. Em espaços pequenos, tenho a impressão de que consigo controlar melhor a minha posição em relação aos outros. Não acho muito confortável a idéia de que há sempre alguém me olhando pelas costas. Talvez eu pudesse ser goleiro, pois só o goleiro tem um controle sobre todos os outros, mas a trave é muito grande. Em campo menor, a coisa é diferente. Eu tinha certo domínio técnico, visão de jogo e boa coordenação, mas era lento e chutava fraco. O fato de eu ser lento era outra coisa que dificultava. Quando eu dominava a bola, em qualquer parte do campo, já havia um sujeito chutando o meu calcanhar. Foi desta maneira que, na minha estréia como lateral direito do São Cristovão, eu provoquei um gol - do time adversário, no caso. Lembro deste lance e de outro. No outro, peguei a bola na lateral, dominei, olhei para os dois lados, depois olhei pra torcida – a torcida era composta por esposas de jogadores, solteiras procurando maridos, minhas primas, gente assim – e toquei de lado para meu companheiro. Foram as minhas duas participações na partida.

Um comentário:

Anônimo disse...

pelo seu gosto, parece mesmo que não deverias entrar em qualquer campo.