30.8.10

O samba aqui

Há pelo menos cinco boas opções de samba em Florianópolis. Em uma cidade com vida noturna tão apagada, pra usar uma metáfora infame, parece que os lugares de samba - geralmente mais baratos, além do mais - são cada vez mais fortes na ilha. A maioria deles, aliás, fica perto do mar. Joaquina, Sambaqui, Lagoa da Conceição, Barra da Lagoa. O único do Centro fica na Travessa, o Samba do Noel - é também o único que funciona de dia, na hora do almolço, e também o único gratuito, o que torna o ambiente mais democrático, digamos. Todos tem música boa, mas não são iguais. Como eu não entendo nada de música, não sei dizer as diferenças. Na Travessa, tem instrumentos de sopro. E tem também este senhor, aqui, que não lembro o nome, mas nem importa. Vale a pena vê-lo dançar. No Varandas, da Lagoa, tem um repertório menos conhecido, às vezes com composição dos próprios músicos que estão tocando. No Rancho do Neco, em Sambaqui, também. O Neco compõe e convida vários compositores que dão uma palha antes e depois do show, propriamente.



Ontem o Neco me disse que no começo, há sete anos, o lance começava mais cedo, mas as pessoas foram ficando, chegando tarde e então o rancho tornou-se um samba noturno. No Sambaqui, também tem mais tias e velhinhos. Na Joaquina, por exemplo, não tem tantos velhinhos. Parece mais um lugar de pegação. No verão, tem muitas nativas ensinando os turistas a dançar. Em compensação, você tem a opção de atravessar a rua e deitar nas dunas, quando cansar ou ficar bêbado. Na Barra, eu nunca fui, mas dizem que é bom. Tem que atravessar a ponte, pra chegar; fica na beira da praia. O meu preferido, de todos, é o Rancho do Neco. Quem eu levo lá, volta no outro domingo. É o único que tem uma cadelinha passando entre as pernas das pessoas enquanto dançam - e no inverno, melhor, colocam um vestido rosa nela. Às vezes, o rancho torna-se uma espécie de igreja, santuário. Abre só no domingo. Abria na sexta, mas parou por causa do barulho. É aconselhável, sobretudo, pra começar a semana abençoado; por Walter Alfaiate, Nelson Cavaquinho e Clara Nunes.

3 comentários:

OANI Teatro - Chile disse...

que vontade de ter ido....no?

jean mafra em minúsculas disse...

o da barra é muito bacana, principalmente nas noites de lua!!!

Anônimo disse...

foda-se os sambas da ilha.