13.8.10

Subir a aposta



O escritor César Aira, em um entrevista concedida ao site peruano Porta9.com, em 2008, diz sobre seu interesse por publicar suas novelas em pequenas editoras - em Buenos Aires há muitas, o que torna provavelmente a prosa argentina mais agradável - e afirma o seguinte motivo: é possível, com maior liberdade para a escrita, e sem grandes envolvimentos com o mercado, "subir a aposta". No poker, como se sabe, um jogador não sobe a aposta sozinho: é preciso que outro - ou mais de um - nivele ou cubra as fichas que o primeiro lançou na mesa. Aliás, é por isso que o blefe, no jogo de poker, está mais perto de uma fantasia romântica do que necessariamente de um recurso - a rigor, o jogador que blefa acaba sendo descoberto pois, não custa repetir, jamais está sozinho. Parece que Aira está falando exatamente disso, mas certamente pelo lado avesso, em uma espécie de economia negativa. Subir a aposta, em poucas palavras, é perder dinheiro. De resto, não é desconhecida a estratégia de saturação do mercado editorial com a qual César Aira procede: publicar mais pra vender menos. O procedimento de Aira finalmente parece sugerir uma idéia que contraria a imagem do escritor ausente e solitário: não há literatura que não se faça a dois.

5 comentários:

Í.ta** disse...

todos estes são teus?

Victor da Rosa disse...

sim, mas não empresto!

Anônimo disse...

agradável?

anônimo vingativo disse...

a promessa de empréstimo a um anônimo é extasiante, tinha esta fantasia até o último minuto, diante da negativa, me enluto.

Í.ta** disse...

nem queria mesmo