30.9.10

O rei da vela

Na semana passada, quase todo mundo já sabe, o aluno de teatro da UDESC com nome oswaldiano, Betinho Chaves, foi levado por dois ou três seguranças da UFSC após realizar uma performance pelado, na frente do Restaurante Universitário - tem um bom vídeo aqui. A performance não parece grandes coisas; tem um momento em que ameaça baixar um santo, mas não baixa; os alunos que estão indo almoçar dão umas risadas; e fica nisso. De modo que, se Betinho não fosse levado pelos seguranças, ninguém falaria da performance. Por outro lado, convenhamos, há um mérito nisso. Digo, em ser preso.

As mesmas pessoas que reclamam dos seguranças não dizem a outra parte óbvia da discussão: eles estão fazendo o seu serviço; artistas não estão imunes à lei. Até onde sei, os seguranças pediram para ele colocar a roupa primeiro. Convenhamos, segundo sua lógica, é bem razoável. Fosse um louco pelado, correndo pelo campus atrás das meninas do CCE, tudo bem. Sendo um artista, que absurdo! Não há nada mais entediante do que esta lamentação. Pixadores, há pelo menos dez anos, vão em cana quando são flagrados. Foi assim que chegaram à Bienal. Começaram correndo da polícia; hoje correm dos curadores.

Betinho, com o custo-benefício, saiu no lucro. Ser preso, neste caso, pra usar um trocadilho infame, é legal. Ganhou mídia e, sem querer, talvez, expôs meia dúzia de contradições da frágil Semana de Artes da UFSC. Final de semana, se não me engano, ele estava no samba da Barra e, de quebra, já meio famoso, provavelmente deve ter conseguido umas meninas por isso. Em tempo: sua expressão não parecia a expressão de quem foi torturado há poucos dias. No máximo, vai pagar com uns serviços comunitários. Capinar um terreno baldio no verão. E se eu fosse ele, capinava pelado.

2 comentários:

jean mafra em minúsculas disse...

ahahahahahahahah - victor, por essas e outras acompanho esse blog há tanto tempo.

beijoca.

Anônimo disse...

Beijoca? Uhm...