1.11.10

A dificuldade do tempo



Suponho que a alusão ao tempo, presente já no título da exposição de Tiago Romagnani - Duração - está relacionada a uma dificuldade, um peso. Duração não diz sobre um tempo que passou, perdido e superado, tampouco sobre um tempo por vir, imaginário, utópico; mas diz sobre o tempo que permanece e demora. A pergunta que esta série de Tiago realiza - pergunta conduzida e mesmo organizada por esta ênfase (afinal tão direta) no tempo - parece ser uma só: de que maneira é possível lidar com o peso do tempo? - ou melhor: como é possível, apesar de tudo, permanecer? Em uma palavra: estamos diante de algo - seja uma força, uma fragilidade ou um vazio - que está acontecendo. O tempo adquire mais peso na medida ainda em que opera em círculo; e não dá provas suficientes de que deve terminar tão cedo.

Daí é possível concluir que as obras de Tiago - mesmo as instalações e as esculturas, e também as obras de exposições anteriores - têm um pensamento de vídeo; e daí é possível entender porque o artista se resolve bem melhor com a vídeo-arte e menos com a fotografia. Sua força não consiste em tornar imóvel a imagem; consiste, antes, na mobilização de uma energia dinâmica. Cada mudança é um esforço de permanência, aqui, e A saudade, aqui, duas obras de 2008, já lidam - e até explicitam através do título - a dificuldade do tempo. Por sua vez, a exposição em cartaz no Museu Victor Meirelles, de Florianópolis, refaz exatamente a mesma pergunta, acredito, através de outros dispositivos e mesmo de outra violência.

O fio por onde passa uma corrente elétrica – e que permanece em constante movimento, portanto, sendo negada a aproximação do espectador – talvez seja a resposta mais contundente ao tempo. Esta instalação tem ainda uma extrema qualidade e delicadeza de síntese, que aliás contradiz a sua natureza danosa. De outro modo, o registro em tempo real de uma escultura também presente na exposição – uma betoneira cheia de pedras – responde a pergunta do tempo com o seu gasto: o vídeo, na medida em que registra algo que está ali, do seu lado, apenas tem o trabalho de virtualizar uma presença, dobrar a escultura em outra imagem, ou seja: rodar em torno do próprio movimento de duração. O vídeo não precisaria dizer nada, a rigor, mas diz. É preciso começar tudo outra vez.

Um comentário:

Anônimo disse...

Thanks :)
--
http://www.miriadafilms.ru/ купить фильмы
для сайта victordarosa.blogspot.com