23.11.10

Génie du non-lieu


[ Fundação Franklin Cascaes ]

Um dia antes da abertura de Dicionário de Idéias Feitas, na madrugada de uma segunda-feira, depois de umas cervejas na Travessa, saímos pela cidade vazia - João Serraglio, eu e uma terceira pessoa que, por motivos de segurança, não pode ser identificada - pra escrever algumas frases em russo nas paredes de instituições de arte. Com quatro letras do alfabeto cirílico, fizemos algumas combinações que qualquer pessoa versada na língua russa ou ucraniana pode compreender, e deixamos o nosso recado pra rapaziada. A idéia era fazer apenas em lugares que gostamos, lugares significativos pra nós, como o Blues Velvet, o Museu Victor Meirelles, o TAC e a Travessa Ratclif (aliás, apagaram justamente o da Ratclif) mas aos poucos fomos mudando de idéia - talvez porque os lugares que queríamos homenagear logo acabaram e queríamos continuar, pois o lance de pixar a cidade realmente dá barato - e acabamos fazendo também na Fundação Franklin Cascaes, por exemplo, onde deixamos uma letinha só de protesto.


[ Travessa ]


[ Blues Velvet ]

8 comentários:

Victor disse...

Eu não tenho a menor familiaridade com russo e toda vez que passo pelo TAC me pergunto o que será aquele meio B, meio T, meio algo que apareceu pichado lá. Mas é bonito.

Í.ta** disse...

"eu já sei o que eu vou ser
ser quando eu crescer"

riding song, introdução do disco "uma outra estação", último da legião.

Victor da Rosa disse...

e o que você vai ser? professor de russo? ou infrator?

Í.ta** disse...

tô em dúvida ainda.

analisando melhor o mercado :)

? disse...

essas brincadeiras de esconder têm seu charme: nunca a verdade, simplesmente; nunca a mentira deslavada. para o mero espectador sobram os vislumbres, a conversa ouvida de passsagem. e o autor vai acumulando experiência no papel de sedutor...

Fabricio C. Boppré disse...

Vi uma dessas letras uns dias atrás, num casarão ali na praça dos bombeiros.

Victor da Rosa disse...

Fabrício: este é um dos meus preferidos. A casa é linda e nunca apagaram. Decerto acharam bonito.

MCris disse...

trabalho nesse casarão da praça dos bombeiros.

uma das minhas colegas se assustou com a inscrição: ela (essa minha amiga) registra os casos de tuberculose que acontecem no município e achou que a mistura do T com o b fazia referência ao trabalho dela -- ou a ela. outra amiga achou sinistro o modo como a letra apareceu de uma hora pra outra. começaram a discutir, entre o susto e a excitação, que pessoa insana poderia ter feito aquilo...

... mas aí eu, burra, falei do joão e indiquei o link pras fotos do 'dicionário'.

e acabou o mistério e ninguém falou mais no assunto!

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