16.11.10

Livro do sono

Não consigo aceitar o argumento de que um livro é ruim - ou um filme - porque necessariamente dá sono. Este argumento é usado muitas vezes contra um dos meus cineastas preferidos: Wim Wenders, mas também contra muitos outros. Acho, mas talvez seja uma experiência muito singular de leitura, que livros ruins são aqueles que, pelo contrário, não nos deixam dormir. Em outras palavras, quero dizer que considero o sono algo realmente importante. E tem outra: não sinto vontade de ler muitas páginas - seguidas, pelo menos - dos grandes livros. É como se eu lesse vinte ou trinta páginas e já fosse suficiente; posso parar e ler outra coisa. Demoro muito, com uma exceção, para terminar a leitura de um clássico longo. Com os livros ruins ocorre exatamente o contrário: você lê oitenta páginas de uma vez porque não encontra nada e continua ali, procurando, insistindo. Poderia ser esta uma definição do best-seller: o livro em que você não encontra nada e portanto lê vertiginosamente. Daí não dorme.

5 comentários:

Í.ta** disse...

acho digno!

adoreiadorei.

abraço.

Enzo disse...

hahaahah muito bom!

Anônimo disse...

"O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”, escreveu Freud em sua obra-prima A Interpretação dos Sonhos. Esse sim é um livro que dé sono.

Anônimo disse...

livro que dá sono: madame bovary, já comecei a ler umas 5 vezes e nunca consegui chegar nas famosas partes quentes, por consequencia, nunca tive sonhos interessantes por causa do livro.

Anônimo disse...

Eu é que não durmo com esse barulho.