27.1.11

Marcelo a contragosto



Marcelo Mirisola tem uns 45 anos, é autor de uns dez livros de prosa, mas antes estudou Direito, depois largou mão de ser advogado, foi vender antenas parabólicas e produtos de beleza no vale do Itajaí e acabou comprando uma casa no Costão do Santinho, há uns dez anos, onde escreveu um de seus primeiros livros, O herói devolvido. Nesta ocasião, Mirisola recebeu o título de inimigo público de Santa Catarina por (nada menos que) Cacau Menezes. De resto, MM fala por ele.

Notícias de três linhas - Ninguém baixa em uma ilha por acaso. Como você chegou aqui? E como você conseguiu ficar tanto tempo? Aliás, quanto tempo você ficou? Diz um pouco sobre a tua vida em Florianópolis.

Marcelo Mirisola - Antes de Florianópolis, morei 3 anos em Balneário Camboriú, e 1 ano em Porto Belo. Percorri o Vale do Itajaí no começo dos 90 vendendo antenas parabólicas e produtos de beleza. Portanto, conheço bem o lugar e suas idiossincrasias: "Bailão do Mi" & vanerões e puteiros afins. Comi muita loura aguada que me chamava de "Pai" na hora da foda. Também tive uma escuna em Porto Belo, um fiasco. Em 1997, depois de ter encalhado deliberadamente a escuna num banco de areia do Rio Camboriú, resolvi que ia pra capital. A breguice continuou. Aluguei (e depois comprei a posse) de uma casa na praia do Santinho e lá fiquei quatro anos. Isoladão (O Herói Devolvido é dessa época...). Enfim, conheço muito bem a gente branquela e brega do Estado e da Ilha de Sta. Catarina. Uma queda leva a outra.

Notícias - Em alguns de seus livros, como Bangalô e Azul do Filho Morto, aparecem imagens e nomes de Florianópolis. Estas aparições, dentre outras coisas, fazem parte de um forte traço autobiográfico presente em seus textos, mas também demonstram que há alguma coisa da cidade que interessa a você como matéria pra literatura. Em algum lugar, você disse que sua literatura é contra a classe média. Há algo especial na classe média mané?

MM - Uma classe média em estágio larval (em construção), meio ingênua e metida a besta sem saber direito o porquê. Isso nos anos 90, quando morei aí. Hoje, devido a comunicação que temos, imagino, a classe media catarinense é igual a classe média de qualquer outro lugar: pensando bem, vocês saíram no lucro porque a tecnologia acabou nivelando todo mundo por baixo. Vivemos todos num grande Shopping Iguatemi à beira mar.




Notícias - Acabo de ler Bangalô. Lá, você diz - ou seu narrador, como queira - muitas coisas sobre a cidade. Você define a cidade, por exemplo, como "um grande condomínio de arquitetas lésbicas e pansexuais", "uma matinê ou um lego do inferno." Você diz também - tudo bem, o seu narrador - que "os manezinhos locais não prestam nem pra tomar conta de um carro". Você conheceu muitas arquitetas lésbicas na Lagoa da Conceição?

MM - Sim! Muitas bruxinhas e artistas plásticos e poetas de quinta categoria também!

Notícias - É verdade que você detesta o Cacau Menezes?

MM - Ele que me detesta. Publicou minha foto em sua coluna, disse que eu era inimigo publico de Santa Catarina, e recomendou minha expulsão da ilha junto com José Geraldo Couto, o jornalista que - pasme! - resenhou positivamente o Azul do Filho Morto. Aí você vê o grau de sofisticação desse sujeito.

Notícias - Apesar de tudo, parece que você gosta um pouquinho de Florianópolis, principalmente por um caráter lírico que também é muito forte em sua literatura. Há algo meio idílico na cidade que não é de se jogar fora. Você concorda comigo?

MM - Sim. As barangas da Conselheiro Mafra. Idílicas. Elas continuam por lá?

Notícias - Você não quis conhecer os escritores da ilha? Há vários escritores por aqui. Aliás, o Frank, o artista do Bangalô, existe?

MM - Conheci o segundo melhor escritor do Brasil na Ilha (nem preciso dizer quem é o primeiro ...). Ele morá aí até hoje. O nome dele é Nilo de Oliveira. Gaúcho... curioso né? O Frank é produto da minha imaginação. Nem acrílico existe mais.

7 comentários:

Anônimo disse...

hahahahahahaha

melhor post de 2011!

rafael campos rocha disse...

muito bom!

Christiano Scheiner disse...

Vitor, olha que massa: eu elaborei o projeto petrobras cultural 2010 pro Nilo Oliveira, passamos, e agora vou fazer a produção executiva pro cara, inserir na Lei e tal! que coincidência! vc já o conhece? já leu algo do Nilo! :)
fiquei muito feliz com essa matéria e vou guardar para nós \o/
um forte abraço! \o/

Victor da Rosa disse...

Não conhecia, Chris. Dei uma olhada no blog dele, agora. Marque uma cerva com ele quando a gente fizer uma daquelas, que tal? Um beijo!

Júlia disse...

Quem é Cacau Menezes?

Victor da Rosa disse...

Oh! Sempre esqueço que ninguém conhece o Cacau fora das quatro linhas.

Pádua Fernandes disse...

Conheço Mirisola - quem não o conhece, afinal? Não sabia dessa outra pessoa. Acabo de ver que ela escreve notícias de três linhas no Diário Catarinense.
Enfim, continuarei sabendo de Marcelo Mirisola.
Abraços, Pádua.