22.2.11

Bárbaro & nosso [entrevista com Pola Oloixarac]

Publicado no Cronópios



[ Pola sendo assediada por paparazzis bariloches ]


Quase três anos depois de ter causado boas polêmicas em Buenos Aires, ao ser apontada por Ricardo Píglia como um grande acontecimento da novela argentina – mas não apenas isso, digamos assim – chega ao Brasil o livro de estréia de Pola Oloixarac, 33, através do selo Benvirá, da Editora Saraiva: As Teorias Selvagens. Entre a ficção e a teoria, o erotismo e a sátira, o mundo nerd e as políticas contemporâneas, As teorias poderiam ser descritas como uma etnografia extravagante da Academia. O livro de Pola, no entanto, embora a autora ironize e diga que faz “entretenimento de primeiro nível para os nerds do mundo”, não chega ao Brasil pra se tornar consenso. Seja como for, neste caso, recomenda-se que o leitor é que se vire. Na entrevista, Pola fala do impacto que seu livro tem causado, das traduções, do Brasil, de suas preferências musicais – “Chico Buarque, Os Mutantes, Jobim, Xuxa” – e do dia que encontrou Beatriz Sarlo na Bahia, em meio a um temporal tropical.

Notícias de três linhas - O seu début para os leitores brasileiros, uma boa coincidência, acontece em uma FLIP em que o homenageado será Oswald de Andrade, o mais selvagem dos nossos teóricos, eu diria. Poderia falar sobre a tua relação com a cultura brasileira? Há algum escritor ou artista brasileiro importante para você?

Pola Oloixarac - Clarice Lispector, sem dúvida. Quando era pequena, estava perdida por Jorge Amado, o Capitão do Ultramar foi meu livro favorito durante muito tempo. Também tenho lido com muito interesse as teorias maravilhosas de Oswald, e devoro tudo o que escreve o Raul Antelo, um teórico da universidade de Santa Catarina. Eu adoro a música do Brasil, tenho uma lista no meu ipod que se chama Dilma. Escuto sempre quando trabalho o Chico Buarque, Os Mutantes, Jobim, Xuxa, no loop. Às vezes misturo com Mozart e Schummann e Gorecki. Me faz bem à cabeça. Eu acho que a música dos anos 80 do Brasil, especificamente Gal Costa, foi um momento pop único no mundo. Gal Costa faz uma ponta no meu romance.

Notícias - Pelo que eu pude perceber, a recepção de seu livro em outros países, principalmente nos países de língua hispânica, como Espanha e Peru, esteve muito bem. Em 2011, além do Brasil, LTS será lançado em países como a França, Finlândia, Holanda e Portugal, se não estou enganado. São países com culturas literárias bem diferentes e além disso o texto será traduzido, passará por modificações. Qual é a tua expectativa com estes lançamentos?



PO - Sim, também na Itália. Eu só tento levar entretenimento de primeiro nível pra todos os nerds do mundo. Eu quero que os leitores se divirtam, isso é o mais importante. Estou muito contente com a tradução feita pelo Marcelo Barbão. E agora a tradutora francesa, Isabelle Gugnon, está terminando a tradução para a Seuil, ainda não li mas estivemos muito em contato e, pela precisão, eu acho que ficará super legal.

Notícias - Você já está sendo apontada pelos especialistas brasileiros como a musa da FLIP de 2011. Xico Sá, por exemplo, sempre atento a estas questões, comemorou a notícia de sua vinda. O que você acha disso?

PO - Ah!, aí já não sei... Uma musa é como um amor platônico... e minhas fantasias com os brasileiros são bem selvagens!

Notícias - Você me disse que sua próxima novela, uma novela sobre orquídeas, que é uma de suas paixões - pelo que sei, você também cultiva uma paixão por franjas e por cultura nerd – começou a ser escrita no Brasil. O que você conhece do país? Pretende conhecer outros lugares, desta vez, além de Parati? Fale um pouco sobre a próxima novela e a relação da novela com o Brasil.

PO - Sim, eu conheço um pouco de Salvador, na Bahia, Ilhéus. Fiquei na Itacaré no reveillon de 2009, como o Sarkozy e a Carla Bruni haha (mas não no mesmo hotel). Eu adoro São Paulo, mas ainda não estive no Rio – depois da Flip eu irei pra lá. O reveillon na Bahia foi muito engraçado. Meu livro havia acabado de sair em Buenos Aires, e minha fantasia (absurda) era esquecê-lo por completo. Eu queria começar imediatamente a redação do meu novo romance – já estava tomando muitas notas no México e em São Francisco, e começar no Brasil, no reveillon, era o momento perfeito. Uma noite, em Salvador, estávamos em um restaurante, e de repente caiu uma chuva tropical, súbita. Então vi que estava a crítica argentina Beatriz Sarlo no restaurante. Era absurdo encontrar a crítica litéraria mais importante da Argentina a meia-noite na Bahia!! E ela estava presa, como nós. No dia seguinte me colocaram a pulserinha vermelha do Senhor do Bonfim. E no entanto a pulseirinha ainda não arrebentou, ou seja, tenho vivido com ela todo este tempo, durante toda a viagem exterior com As Teorias Selvagens desde o silêncio do meu computador até os barulhos da imprensa, as críticas, os escândalos, até sua aparição em português. Se a pulserinha não se romper até julho, em Paraty, vou cortá-la e lançá-la ao mar do Brasil.

15 comentários:

Anônimo disse...

que mulher linda! se ela escreve bem vou me matar de tanta inveja! vc leu e recomenda?
agora, será que o xico sá tem chances? até sei que a inteligência no homem é coisa erotizada, mas o cara coitado é feinho. ainda bem que foi na condição de musa que ele a colocou...

Victor da Rosa disse...

pior é q escreve!

no brasil, o livro sai agora, em fevereiro ainda.

Anônimo disse...

ódio mortal dessa criatura.

Victor da Rosa disse...

os meninos ficaram todos serelepes no facebook

Anônimo disse...

bonita ela é, mas a escrita não é isso tudo não, por favor, tem gente no Brasil mil vezes melhor. o Brasil não para de babar no que vem de fora.Maldita colônia.Não é nacionalismo não, longe de mim, mas, faça o favor, é preciso pensar essa cultura do de fora para dentro, pois o contrário parece indiferente a tudo que se escreve por aqui,inclusive o próprio Machado de Assis, que até hoje raros países latinos e europeus conhecem sua obra.é preciso inverter a antropofagia!!

Victor da Rosa disse...

queres q eu faça oq? entreviste o machado de assis?

Anônimo disse...

conheço um terreiro bom ali no estreito, o médium é fera!

miimss disse...

Posso te ajudar emprestando um otimo texto de Historia Oral para mediuns.

(Nao eh da Marieta de Moraes Ferreira nem tem isbn...)

Anônimo disse...

ela leu raúl antelo...


huhuhu

Anônimo disse...

detalhe: não é lê... é "devora" raul antelo!!!

aiaiaiai

Victor da Rosa disse...

E deve ler no café, como se fosse jornal.

Aqui ninguém entende.

Anônimo disse...

essa guria me lembra a larissa riquelme. não sei porquê.

Anônimo disse...

devorar raúl antelo? haha
difícil, difícil.

aliás, alguém sabe quem é o autor daquele twitter dele?
http://twitter.com/raulantelo

Anônimo disse...

porra, victor, parece cacau menezes entrevistando. só pergunta se ela gosta do meu braziu preto e lindo.

Gabriela Sant' Anna disse...

"queres q eu faça oq? entreviste o machado de assis? "

Comentário do século hahaha. Bem, não li o livro ainda, mas vou ler, depois eu deixo pra criticar, mas parece ser uma ótima história.