3.2.11

Contraposição de Dissonâncias



Em 1917, em meio às discussões sobre as vanguardas européias, Piet Mondrian e Theo van Doesburg, artista plástico que alguns anos depois tornou-se um dos professores da Bauhaus, lançaram a revista De Stijl, vinculada ao conceito de neo-plasticismo. Como se sabe, a pintura de Mondrian, manifesto do neo-plasticismo, naturalmente, se resumia a cores primárias, além do preto e branco, e linhas verticais e horizontais; e só. Em 1925, após quase dez anos de amizade e dedicação intelectual entre os dois pintores - que eram, de fato, amigos inseparavéis - Doesburg pinta Contraposição de Dissonâncias, que seguia todos os padrões do movimento, mas com uma exceção: as linhas diagonais. Mondrian, nos diz a história, ficou furioso, muito furioso. Quando viu a pintura, com aquelas diagonais infames, não coube em si. As diagonais de Doesburg, por isso, foram responsáveis pela sua expulsão da revista De Stijl e pelo rompimento de uma grande amizade. Francamente, eu já soube de amigos que romperam por motivos bem idiotas, mas por uma diagonal é a primeira vez.

4 comentários:

Anônimo disse...

briga de biba. vai ver o mondrian queria ficar mais um tempo na horizontal com o van Doesburg, mas ele não quis...

bibi move disse...

vitor, discordo de ti: não há motivo mais justo do que a discordância sobre a relação entre o céu e a terra, entre o que suporta e o que suspende. Não importa se é na pintura, mas com certeza era irreconciliável.
:)

Victor da Rosa disse...

mas querida: é só um ângulo!

Ab disse...

não tardaria muito e, creio, o próprio mondrian 'diagonizaria' algumas telas; mas, é claro, mantendo o compromisso estético, neoplástico, de não o fazer por meio do traço do artista, senão por giros nas telas, ali unindo - se não tô falando besteira - pintura e ação.