6.6.11

O circo e o CIC

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Por Victor da Rosa para Diário Catarinense

As fábulas em torno do CIC – são fábulas, de fato, e não apenas ficções – chegaram a um nível em que não precisamos mais fazer piada. Isso é ruim, pois chegará o dia em que não teremos mais nada muito original pra dizer, mas é bom também. Não se trata mais do gênero de piada pronta, paradigma tão conhecido de todos, mas de um nível ainda anterior: da piada que, de tão pronta, não precisa mais ser feita. É quando os fatos já se antecipam a qualquer discurso que se possa fazer sobre eles. Enfim, esta é uma crônica sem graça nenhuma.

Depois de mudarem por quatro ou cinco vezes a data de conclusão das reformas do CIC – a obra começou há dois anos e meio, no início de 2009, ainda com o governo anterior – eis que aparece um circo no seu estacionamento. Em outras palavras, a vingança do Real vem a galope. Antes disso, aliás, teve a Casa Cor. E teve também uma carta aberta da Anita Pires, ex-diretora da Fundação Catarinense de Cultura, cheia de erros de ortografia – a carta está publicada em vários sites, todos podem ler. E tiveram também todas aquelas coisas – estas, aliás, são sempre as piores – que a gente nem chegou a ver. Mas nada é como um circo.

No circo Le Magic, que conta com o apoio da Prefeitura de Florianópolis e da Fundação Catarinense de Cultura, não tem palhaços. É um circo só de mágicas. O circo conta com alguns dos maiores mágicos da atualidade. O CIC também. Os maiores espetáculos de ilusionismo de Las Vegas. Um verdadeiro teatro de ilusões. Nenhuma novidade para os catarinenses. Entre todos os números apresentados, o russo Alain Stevanovich faz desaparecer os prazos, as licitações e o Café Matisse. Quem quiser ver palhaços, em todo caso, deve levar um espelho de bolso. No CIC não há palhaços.

Em matéria publicada aqui mesmo no Diário Catarinense, há mais de um ano, o então Diretor de Patrimônio da FCC, Halley Filipouski, que aliás também tem nome russo, enunciou a seguinte frase: “A obra agora chegou naquela fase que ninguém vê (...)”. Ato falho? Não se sabe. Halley se referia ao conserto das redes internas de esgoto ou já estava anunciando a presença do Le Magic? E por que os ingressos para o circo estavam sendo vendidos justamente na Ótica Diniz?

Se o CIC virou caso de polícia, como se diz, a polícia não deu sinal ainda, mas o circo já pegou fogo. Aliás, o circo já foi armado, desarmado e ainda não aconteceu nada. O CIC também. Depois de um mês de estágio em Florianópolis, no entanto, a trupe do Le Magic passará por outras cidades de Santa Catarina, como Balneário Camboriú, Blumenau e Joinville, onde o senador e ex-governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira – que também tem nome russo, como todo mundo sabe – promete uma aparição toda especial. O que será que Luiz Henrique fará desaparecer desta vez? A mágica é uma de suas principais especialidades.

Parece que o pessoal do circo foi embora ontem. Em todo caso, dizem também que houve, durante todo o mês em que o circo permaneceu na capital, uma identificação muito grande entre os administradores públicos e os artistas internacionais. Havia ilusionistas que queriam ficar, superintendentes que queriam partir, enfim; muita troca de experiência e conhecimento. Seja como for, a partir de agora – afinal, com a memória não se brinca – o CIC será sempre um circo na minha imaginação.

4 comentários:

gilvas disse...

o ilusionista colombo também fez um workshop, e agora tem sobrenome russo. dizem que sua primeira mágica, ousada, será a de fazer aparecer uma quarta ponte, a qual, sozinha, imaginem, irá fazer todos os engarrafamentos de florianópolis desaparecerem!

vale ressaltar também que o tal circo utiliza animais em seus números, prática proibida por lei em florianópolis há alguns anos pela própria prefeitura.

mara paulina arruda disse...

sensacional! Um abraço.

Paulo Macedo disse...

O le magis traz um pato para que as crianças o acariciem, isso é proibido por lei. Assado com laranja é permitido.

bárbara disse...

Essa me chamou atenção no jornal que as vezes pego pra fazer o sudoku na casa dos meus pais. Algo - entre os milésimos de segundos entre a idéia de olhar o nome do colunista, e ver de fato - me induzia o seu nome.