5.9.11

Comunicação a uma Academia

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Por Victor da Rosa para Diário Catarinense







É com júbilo e honra que ponho à apreciação de vossas senhorias o meu nome e a minha literatura, com o fim de integrar o ilustre quadro de confrades imortais da excelsa Academia Catarinense de Letras.

Por menos merecedor que me julgue de receber tamanha honraria, reconheço a importância da ACL para as letras e a cultura catarinense, enquanto espaço salutar e privilegiado de diálogo entre luminares da arte e do pensamento do nosso Estado, que, aliás, como reconheceu o governador Raimundo Colombo, incansável defensor da alta literatura, segue padrão europeu. Venho, com isso posto, pleitear a graça de ser o menor entre os maiores.

Peço-lhes para ser acolhido em vosso seio, também, por vislumbrar a possibilidade de me tornar um humilde instrumento de defesa da nova literatura catarinense, levando às novas gerações a nossa memória e atribuindo vigor e força renovadas àquilo que, mesmo assim, ainda é novo e vigoroso. Além disso, quero exaltar o nome desta casa de luz e conhecimento, bem como aqueles que a integram, escritores e intelectuais de raro prospecto e donos de obras tão firmes, como um navio que emenda o mar.

Sabemos todos, consciente ou inconscientemente, da relevância do nosso Estado e de nossa Academia para a história da literatura nacional e, quiçá, da história mundial, literatura esta que é representada por nomes de incalculável valor e alcance, como é o caso de Cruz e Sousa e Ernani Rosas, com quem guardo, como só é capaz de testemunhar o nosso nome, distante parentesco, mas calorosa simpatia. Com a aparição de novas oportunidades, quero ser eu, portanto, caso a História possa assinar o seu aval, um dos poucos privilegiados a fazer parte deste grupo de seletos, a quem garanto minha total estima e completa dedicação.

Sendo assim, ponho a mim e a minha escritura em vossas mãos imortais, de onde saíram obras plenas de beleza, e sob o vosso desígnio; ponho em vossas mãos, e digo humildemente, a minha pesquisa incansável e reconhecida sobre o imaginário local, sobre as suas formas e materializações na cultura popular e erudita, na literatura e no folclore, do boi de mamão à poesia simbolista, ao mesmo tempo em que deposito no ilustríssimo presidente desta Academia, incansável comensal e patrono, mas também em todos os seus membros, convivas no mesmo banquete da arte literária, que não receberam tal condição do acaso, que a verdade seja dita, mas do trabalho dignificante, deposito em vossas mãos a minha confiança sem vaidade, meu trabalho sem cansaço.

Não poderia deixar de reconhecer e invocar a memória do prof. dr. Lauro Junkes, ex-presidente da ACL e ex-professor da Universidade Federal de Santa Catarina, crítico e estudioso como poucos ou nenhures, mestre maior na arte do ensino e da complacência, que me guiou pela pesquisa quando eu ainda dava os primeiros passos em meus estudos sobre as obras de Zininho e Franklin Cascaes, pois eu certamente, e disso não tenho qualquer dúvida, teria o seu apoio e seu voto.

Certo de que vosso julgamento será acertado, independentemente de ser favorável ou não à minha ousadia nesta hora, agradeço, pleno de humildade e júbilo, a honra de dirigir a palavra à ACL. Despeço-me, pois, com cordialidade e fraternidade, renovando minha elevadíssima admiração, estima e consideração para com vossas senhorias e vossos pares imortais, dispersos nas fronteiras do Estado, porém unidos nesta Ilha de Nossa Senhora do Desterro, agora e sempre. Respeitosamente, e cheio de esperanças, subescrevo-me.

5 comentários:

Kézia Lenderly disse...

Bravo!! A tua humilde solicitação é tão rococó, tão ao gosto dos imortais que a aproxima vaga é tua. É impossível te recusarem. Se não te aceitarem logo não desista.

bibi move disse...

tu me fazes rir diante da tela como poucos cronistas. sim, éres imortal(is)

Victor da Rosa disse...

muito obrigado, bianca!

Erandy Albernaz disse...

Meu voto é seu , futuro imortal

Felipe Matos disse...

Já ganhou, já ganhou, já ganhou!