31.10.11

Manual prático do riso

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Por Victor da Rosa para DC

Riso na internet (sem trocadilho) é uma coisa engraçada mesmo. Desde que os chats se tornaram populares, há mais de 10 anos, no tempo ainda do banco Bamerindus, a representação do riso no mundo virtual já aparecia como uma manifestação cheia de complexidade, engano e graça. De lá pra cá, como se sabe, a coisa só melhorou. Ri-se mais e com muito mais recursos; talvez com mais vontade. Deve ser um sinal, não sei, de que viver anda cada vez mais engraçado.

Surpreende, por exemplo, que as pessoas usem maneiras tão variadas para representar o riso, essa coisa tão simples e ao mesmo tempo tão misteriosa. Você pode rir alto, baixo, gargalhar ou até fingir que riu quando, na verdade, não achou nenhuma graça; tem também o riso maroto, irônico, o riso displicente ou somente o sorriso, que é quando as pessoas quase nem mostram os dentes. É como na vida, aliás. Tem gente que, em 30 minutos de conversa em um chat, pode usar umas 10 ou 15 formas diferentes de rir; por outro lado, tem gente que usa a mesma risada durante a vida inteira. A única diferença em relação à vida é que na maioria das vezes, mesmo rindo, as pessoas estão bem sérias na frente do computador. Mas precisa rir nos dois lugares? Não é coisa de maluco, digamos assim, gargalhar sozinho no quarto? Houve um tempo em que meus pais chegaram a considerar que eu estava retardado da cabeça.

A risada mais comum, de fato, é o “hahaha”, assim mesmo, com três ou quatro sílabas, no máximo. Se passar disso já é uma gargalhada considerável. E tem o “haha”, com apenas duas sílabas, que também apresenta algumas diferenças de sentido: trata-se de uma risada mais casual, um pouco menos empolgada; digamos que é quando você ri só pra dizer que riu. Acontece geralmente quando o outro faz uma piada sem muita graça. Mas pior ainda é o “hehe”, usado em ocasiões em que a piada realmente não tem graça. No entanto, o “hehe” às vezes funciona também como um riso meio malandrinho. Você pode dizer qualquer ambiguidade a uma garota e logo em seguida soltar um “hehe”, como quem diz: preste bastante atenção no que eu acabei de te falar.

Há pessoas também que costumam escrever “risos” para rir. Ou então suas abreviaturas: “rsrsrs” ou apenas “rs”. Sempre tenho a impressão de que estas pessoas não estão rindo de verdade, mas apenas se representando como alguém que está rindo, o que é muito diferente. São aquelas pessoas que vendem caro uma risada, seguram o riso em algum lugar desconhecido; ou vai ver que não conhecem o verdadeiro prazer de uma grande gargalhada. Completamente diferentes são aquelas que riem com caixa alta: “HAHAHAHAHA”, essas, sim, pessoas exageradas e extravagantes, dá gosto de ver. Há casos em que depois de uma risada com caixa alta, a pessoa ainda comenta: “ai, morri...”. E tem também o riso histérico, provavelmente o mais deselegante, digno de quem bebe demais nas festas de formatura e depois enche o nosso saco na hora de voltar pra casa: o famoso “kkkkkkkkk”.

Mas nada disso, naturalmente, é muito certo. As formas de linguagem afinal são como o time do Avaí: sempre nos surpreendem. E novas formas de riso também estão sempre aparecendo, independente se a piada é boa ou não, mesmo que a vida não seja um stand up comedy permanente. Depois, cada pessoa acaba encontrando seu modo de rir ideal, ou seja, o modo de rir que lhe representa melhor, e que nunca é igual ao modo de rir do outro, mas mesmo assim todo mundo vai se entendendo e rindo como pode. Pelo menos é nisso que a gente acredita

Um comentário:

Anônimo disse...

jajaja!