17.10.11

O preço que se paga

.

Por Victor da Rosa para Diário Catarinense

Nos últimos anos, as casas de tolerância do Centro da Capital estão quase todas virando baladas. No total, se não estou enganado, eram quatro zonas que agora são diferentes inferninhos da moçada.

O primeiro foi o Blues Velvet, há uns cinco anos. Aliás, no Blues, a passagem aconteceu em duas etapas. No começo, havia uma porta que subia pro bar e outra, bem do lado, pra zona. As duas portas eram – e ainda são – idênticas, mas a verdade é que elas davam em lugares muito distintos. Como nos ensinou Dante Alighieri, há muitas maneiras de se chegar ao inferno; no caso, apenas uma parede separava um inferno do outro. E o que havia de divertido nesse tempo é que muita gente bêbada e desavisada – geralmente as duas coisas – entrava na porta errada. Você percebia o mal-entendido só pelo franzir de testas. Depois acho que o Blues fez mais sucesso do que a zona e então a zona fechou.

No 1007, que fica na cabeceira da ponte Hercílio Luz, também tive a oportunidade de presenciar uma situação assim, logo que deixou de ser zona pra se transformar em “Boite Chik”. No meio da pista, sozinho, havia um sujeito de terno preto e gravata, modelo executivo, com uma latinha de Skol na mão, esperando que as moças chegassem nele; ou seja, estava mais desatualizado do que o site da Fundação Catarinense de Cultura. Ainda fiz questão de confirmar de onde surgia aquele mal-entendido e puxei uma conversa na amizade:

– E aí, tá meio fraco hoje de moças, né não?

Era a primeira vez que o sujeito entrava no 1007 – na zona, no caso, segundo sua imaginação – mas vários amigos dele haviam oferecido boas indicações do lugar. Pelo que lembro, ele veio de Chapecó para um congresso sobre desenvolvimento sustentável, uma coisa assim, e estava em busca de prazer e vida fácil nas horas vagas. Seja como for, tratava-se de um tipo que se passaria por alguém comum em qualquer lugar – na Fenaostra, por exemplo – mas era exótico vê-lo perdido naquele ambiente cheio de gente da Geração Rivotril. De resto, a Skol – uma latinha por apenas R$ 5 – deve ter lhe parecido bem barata.

Por esses anos, também aconteciam umas festas na Phoenix, que fica no outro lado do Centro, casa de tolerância que se tornou conhecida por realizar um churrasco muito bom todas as quintas-feiras; portanto, mulheres: se seus respectivos maridos voltarem pra casa cheirando a churrasco, não se enganem. A diferença é que a Phoenix nunca deixou de ser uma casa de espetáculos artísticos, seja com o churrasco das quintas ou com as festas de sábado, e o mal-entendido ali era de outra natureza, mas fiquemos por aqui.

Recentemente, ainda, para confirmar a tendência, apareceram outros dois lugares de balada onde também o whisky já foi mais caro em um passado recente: o 98, agora um bar de rock na Prainha, e o Barbarella Lounge Bar, antiga Wisqueria Virgilius. A vida noturna da cidade ganha mais duas boas opções; mas e as moças sem família, pra onde vão? Onde encontrá-las? Será que ninguém mais se preocupa com elas? As pessoas estariam menos interessadas em seus serviços? Ou será que agora as casas de tolerância estão em todos os lugares, digamos assim, e a gente nem se dá conta disso?

De fato, os mais pessimistas acreditam que a profissão mais antiga do mundo está prestes a chegar ao fim, pelo menos na Ilha da Magia, mas os mais otimistas, como todos os otimistas, preferem sempre acreditar no melhor.

7 comentários:

Flora disse...

As profissionais do sexo estão trabalhando nos prédios comerciais do centro, galeria jaqueline, edifício dias velho etc... Acho que a profissão mais antiga é o agricultor ;]
flora

Gabriel Knoll disse...

a mulherada 'tá' mais puta que puta. Assim a concorrência fica desleal. Enquanto umas cobram os fundilhos para acompanhar executivos e rapazotes tontos, meu caro Sr. Rosa, algumas tantas se vendem por pulseiras de baladas, alguns goles de cerveja ou vodka com energético e uma carona de volta pra casa.

até a vida da puta 'tá' acabada na ilha da des-magia.

E tenho dito!

Flávia disse...

Ainda é muito difícil para alguns homens entenderem que, às vezes, as mulheres querem simplesmente dar. Porque caso você ainda não tenha aprendido, Gabriel, mulher gosta de transar, mulher sente prazer e também goza, sabia? O que você chama de mulher "Tá mais puta que puta" é simplesmente o resultado de uma revolução que começou na década de 60 com a pílula sexual (a mulher descobriu que podia transar sem medo de ficar grávida!!) e até hoje vem transformando o comportamento de mulheres no mundo todo. A mulher não precisa mais encontrar o príncipe encantadao para dar, nem arranjar marido, nem fazer o famoso cú doce (que aliás, muitos homens adoram...por que será??) Vou te contar uma novidade: as mulheres podem dar para quem elas quiserem, na hora que elas quiserem e pelos motivos que elas quiserem. Elas podem dar para um cara só porque ele gosta de uma música ou só porque ele tem barba ou só porque ele tem covinha quando ri. Uma pergunta de caráter antropólogico: como é viver no século 21 com uma cabeça tão pré-histórica? O seu comentário é estúpido, reacionário e extremamente machista.

Gabriel Knoll disse...

Suposta Flávia,

enquanto a revolução sexual estiver nivelando a mulher pelas características mais babacas do homem - como é o caso do sexo fácil, da putaria desenfreada e no direito de coçar a boceta na rua como o homem nojento faz com seu saco -, esta revolução é parece mais uma teoria conspiratória.

Outra, filha: mulher gosta de dar, transar, pegar, tem tesão e que bom que seja assim. Mas acho que se vender por pulseira e carona não passa de uma prostituição barata e burra da mulher "prafrentex" da revolução pós-60.

Se nivelar pela babaquice é mais pré-histórico.

Anônimo disse...

Ae, Flávia, que papo calcinha...uhahuauh

adonis disse...

digno de xico sá.

gabriel vá dar o cu e não encha meu saco.

Anônimo disse...

Eu to com o Gabriel e não abro. A mulherada só quer saber de grana. As artistas daqui não são diferentes. Adoram dar por troca de uma breja na Travessa. Ainda não peguei nenhuma pois ando sem grana. Mas, sou testemunha ocular, quem tem grana, pega. e paga barato. Gabriel o pensador