14.11.11

As crônicas que não fiz

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Por Victor da Rosa para Diário Catarinense

Durante a semana, um cronista escreve muitas crônicas; todas na cabeça. Quando as pessoas descobrem que você escreve, por exemplo, elas também passam a te sugerir uns temas: escreva sobre isso, sobre aquilo. Todas estas crônicas, que quase ganham existência, acabam não existindo por diversos motivos. De modo geral, e esse é o principal motivo, nenhuma delas acaba prestando. Mas não é o único. Às vezes você simplesmente não está a fim de escrever sobre determinado assunto; às vezes é um assunto bom, mas você não domina; em outras, a coisa pode se tornar muito arriscada. No meio de tantas crônicas possíveis – há semanas em que elas chegam a 10, 15 – você precisa escolher a crônica certa. É como procurar agulha no palheiro: nem sempre você encontra.

Como nesta semana eu ainda não consegui encontrar a crônica certa, e levando em consideração que já são quase quatro da tarde, horário em que meu editor se encontra na frente do seu computador esperando um e-mail que eu já devia ter enviado duas horas atrás, resolvi compartilhar algumas crônicas que não fiz. Algumas delas já vêm de longa data; outras surgiram agora há pouco, mas não vingaram. Enfim.

1. Zezé di Camargo e Luciano... Martins. Essa seria uma crônica de teor crítico sobre o estado da “arte” na era do espetáculo. O trocadilho com o nome do cantor Luciano e do publicitário Luciano Martins, que a imprensa catarinense insiste em chamar de artista, me pareceu excelente, mas o tom da crônica certamente ficaria pedante e pretensioso. Além do mais, falar sobre arte sempre cansa o leitor.

2. Onze do Onze de Dois Mil e Onze. É claro que eu fiquei muito tentado a escrever qualquer coisa sobre essa data cabalística, pois sempre dá uma boa repercussão escrever sobre os assuntos mais comentados da semana, poderia ser qualquer coisa mesmo, mas não me veio nada.

3. Rolé no Rio. Sempre gostei desse título, eu me senti um verdadeiro poeta quando o título me ocorreu, mas depois encontrei 322 mil ocorrências da expressão no Google. Mesmo assim anotei a expressão na minha caderneta e fiquei aguardando aparecer uma viagem ao Rio de Janeiro, momento em que eu poderia escrever uma crônica legal sobre a Cidade Maravilhosa, mas a viagem também nunca apareceu. O que eu gosto nesse título – uma amiga me chamou a atenção sobre isso – é que a expressão “Rolé” é de origem paulista.

4. Árvore Genealógica da Família Nem. Crônicas sobre tabus morais e questões ilegais da sociedade contemporânea sempre são complicadas. Foi pensando nisso que logo abandonei essa crônica investigativa, em que eu iria pesquisar o grau de parentesco do traficante carioca com o excelente atacante do Figueirense – também carioca, diga-se de passagem – que se chama justamente Wellington Nem.

5. Mais um chato no chat. Levando adiante minhas pesquisas de caráter antropológico sobre o funcionamento da psicologia humana nas redes sociais, essa crônica teria como principal objetivo investigar as formas de comportamento do troll, gíria na internet que designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas, etc – ou seja, são os chatos – mas também acabei desistindo deste assunto.

6. Vídeo Show de Horrores. Sempre que almoço em restaurante com televisão, acabo assistindo ao Vídeo Show, na minha opinião o programa mais estúpido da TV brasileira. Sempre quis escrever uma crônica falando mal do programa, mas também não quero parecer uma pessoa ressentida.

Um comentário:

Iris Pequeno disse...

Gostei muito do "Vídeo Show dos Horrores".Concordo que é um programa que não acrescenta absolutamente nada a quem o assiste,nem sequer diverte.Porém,acho que há coisa ainda pior na TV.
Aos domingos,por exemplo,temos uma sucessão quase que total de programas "imbecilizantes",com pouquíssimas exceções.
É,meu amigo...melhor recorrer à leitura ou a uma boa conversa com amigos.Quem sabe um cineminha?
Seu intelecto agradecerá,fique certo.
Parabéns pelo Blog!