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Por Victor da Rosa para Diário Catarinense
Por Victor da Rosa para Diário Catarinense

Com o tempo, passei a ter certa admiração pelas pessoas falsas. E digo isso com toda a franqueza que me resta. O sujeito falso, apesar da minha admiração, sofre uma espécie de estigma social; em detrimento da verdade, que tem como seu principal representante o sujeito sincero, a falsidade sempre foi encarada como erro e até mesmo como falta de lealdade. Desde a Grécia Antiga, no tempo em que ainda nem existia o Facebook, quando Platão expulsa o poeta da República por considerá-lo portador de um discurso sem autenticidade, a falsidade já é vista como um mal. No entanto, o poeta só deu um passeio nas redondezas, pra despistar o Platão, e depois voltou.
Seja como for, é a falsidade que nos mantêm seguros; mais do que as leis, a polícia e o Estado, é a falsidade que possibilita o bom convívio social e também as vernissages com vinho branco e canapé na abertura das exposições realizadas na Fundação Cultural Badesc, por exemplo – sem dúvida, as melhores vernissages da Capital. Vernissage, aliás – que em francês significa “passar verniz” – tem tudo a ver com falsidade. Se a gente imaginar que a vida é uma grande vernissage, o que convenhamos não é nenhum absurdo, então estamos feitos.
O sujeito sincero, quando quer iniciar seu longo discurso a alguém, sempre inicia com a seguinte fórmula, uma palavra de ordem ao mesmo tempo arrogante e ingênua: “Agora você vai escutar umas verdades”. Nada mais falso! É uma fórmula arrogante porque só um arrogante pode considerar que possui qualquer domínio sobre a verdade; e pelos mesmos motivos é também uma fórmula ingênua. O sujeito falso, por sua vez, não tem a pretensão de dizer verdade nenhuma a ninguém. Por isso, com muito mais modéstia, ele é só sorrisos e tapinha nas costas. E entre meia dúzia de verdades e um tapinha nas costas, fico com o tapinha nas costas. Afinal, como diz o ditado, uma verdade dói; um tapinha (nas costas) não dói.
É por isso que não há nada melhor do que ter um desafeto falso. As aparências enganam, mas não faz mal. O desafeto falso jamais vai te importunar – seja nas próprias vernissages, através de indiretas desnecessárias, ou em longos e-mails no dia seguinte – e nem te dizer coisas desagradáveis e negativas. Até arrisco pensar que ter um desafeto falso é melhor do que ter um amigo verdadeiro. Um desafeto falso fala bem de você pela frente e mal de você pelas costas, como se sabe; um amigo verdadeiro, por outro lado, fala bem de você pelas costas e mal pela frente. O que é melhor? Como diz um amigo meu – que aliás é meio falso também – quem dá sentença pela frente é juiz ou, no máximo, psicanalista.
Além das vantagens de conviver com uma pessoa falsa, há também as vantagens de ser uma delas; mas não vamos imaginar que é algo tão simples, que acontece da noite para o dia. Nesse caso, a falsidade deve ser um exercício diário, submetido a um sistema de práticas que irá possibilitar que você alcance um estado de perfeição, como acontece com as artes maciais, por exemplo. Ninguém nasce falso, salvo engano; é uma coisa que se aprende. De fato, a pessoa que exerce a falsidade, seja jogador de futebol, artista ou concorrente ao Big Brother – embora, verdade seja dita, os artistas sempre têm uma pequena vantagem sobre os outros – costuma alcançar maior sucesso em suas atividades. Pelo menos é o que eu tenho visto na televisão.
O sujeito sincero, quando quer iniciar seu longo discurso a alguém, sempre inicia com a seguinte fórmula, uma palavra de ordem ao mesmo tempo arrogante e ingênua: “Agora você vai escutar umas verdades”. Nada mais falso! É uma fórmula arrogante porque só um arrogante pode considerar que possui qualquer domínio sobre a verdade; e pelos mesmos motivos é também uma fórmula ingênua. O sujeito falso, por sua vez, não tem a pretensão de dizer verdade nenhuma a ninguém. Por isso, com muito mais modéstia, ele é só sorrisos e tapinha nas costas. E entre meia dúzia de verdades e um tapinha nas costas, fico com o tapinha nas costas. Afinal, como diz o ditado, uma verdade dói; um tapinha (nas costas) não dói.
É por isso que não há nada melhor do que ter um desafeto falso. As aparências enganam, mas não faz mal. O desafeto falso jamais vai te importunar – seja nas próprias vernissages, através de indiretas desnecessárias, ou em longos e-mails no dia seguinte – e nem te dizer coisas desagradáveis e negativas. Até arrisco pensar que ter um desafeto falso é melhor do que ter um amigo verdadeiro. Um desafeto falso fala bem de você pela frente e mal de você pelas costas, como se sabe; um amigo verdadeiro, por outro lado, fala bem de você pelas costas e mal pela frente. O que é melhor? Como diz um amigo meu – que aliás é meio falso também – quem dá sentença pela frente é juiz ou, no máximo, psicanalista.
Além das vantagens de conviver com uma pessoa falsa, há também as vantagens de ser uma delas; mas não vamos imaginar que é algo tão simples, que acontece da noite para o dia. Nesse caso, a falsidade deve ser um exercício diário, submetido a um sistema de práticas que irá possibilitar que você alcance um estado de perfeição, como acontece com as artes maciais, por exemplo. Ninguém nasce falso, salvo engano; é uma coisa que se aprende. De fato, a pessoa que exerce a falsidade, seja jogador de futebol, artista ou concorrente ao Big Brother – embora, verdade seja dita, os artistas sempre têm uma pequena vantagem sobre os outros – costuma alcançar maior sucesso em suas atividades. Pelo menos é o que eu tenho visto na televisão.
3 comentários:
as artes marciais perderam um "r". coisa pouca, tu resolve com uma pincelada.
wilde tem um livro chamado "a decadência da mentira". ele está detonando os realistas, claro, mas a vibe é semelhante. quem foi que inventou esta dicotomia entre autenticidade e falsidade?
Ontem li o teu texto no DC, adorei.
Acabei de te conhecer (aqui no blog), gostei muito do que li.
FINALMENTE VAI DESCOLAR UMA GATINHA COM AS CRONICAS NE AMIGO
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