16.1.12

Carta de uma leitora

Bom dia Victor,

Me perdoe a sinceridade mas achei lamentável a sua publicação na coluna Contexto no DC do dia 16.01 sobre o texto escrito pelo morador de Jurerê.
Não sei de onde você é e nem onde mora mas se morasse em um local como se tornou Jurerê, deveria dar razão às críticas feitas no depoimento do Sr. Rica. Florianópolis se tornou, de um modo geral, na ilha das ilusões, onde todos acham que é um paraíso e que vindo morar aqui terão qualidade de vida.
Isso é um absurdo se levarmos em consideração vários fatores como mobilidade, planejamento, segurança, custo de vida, entre outros. E infelizmente, durante a temporada, todos esses pontos críticos pioram ao extremo e ainda temos que nos deparar com um povinho que acham que só por que conseguem passar uns dias em Jurerê Internacional são pessoas ricas e que podem fazer tudo o que querem sem ter o mínimo de bom senso e respeito pelos outros. Essa gente, na minha opinião, é pobre, muito pobre, de espírito e tenho pena de pensar que o nosso mundo está cada vez mais cheio delas. E os problemas que você considera que são apenas problemas do bairro "Sr. Rica", são problemas frequentes da nossa sociedade atualmente.

Att,

D.

* *

Olá, D:
não penso diferente de Rica Ribas no que se refere aos problemas de Jurerê Internacional, mas penso diferente no que se refere às causas; ou seja, quem construiu o inferno de Jurerê - que é na verdade o inferno de Florianópolis com alguns anos de atraso - foram as próprias pessoas que vivem na nossa cidade: das últimas prefeituras à mídia e aos moradores, sem exceção. De resto, quando se diz falta de espírito, infelizmente está se falando é de falta de dinheiro. No nosso país, os pobres levam a culpa de tudo.
Um abraço,
Victor.

6 comentários:

Callas disse...

não li seu texto sobre o desabafo do sr. Rica. mas li o texto do sr. Rica, o que me faz concordar com a sua resposta à leitora.
entendo a indignação da moradora. mas também penso que o problema são as causas.
e para falar a verdade, ando meio entalada com o "desabafo" das pessoas. andamos num clima de xenofobia fraterna.
quem "vendeu" a cidade foi o poder público e a elite local. quem esqueceu de exigir um "ajustamento de conduta" para este uso, fomos nós, os moradores.
cansei desta falácia.

Gilberto disse...

Victor,

Tem alguns aspectos curiosos nas entrelinhas dessa discussão que queria destacar, algumas até engraçadas, segue:

O primeiro é que são turistas de 20 anos atrás que ficaram por aqui reclamando dos turistas de hoje. O manezinho, em Jurerê Internacional, em geral só através dos subempregos. O que menos tem Florianópolis é manezinho.

Segundo, é a intolerância com as pessoas "pobres de espírito" (bobagem! o leitor se refere a dinheiro mesmo). Se "essa gente" - como ele cita - estivesse servindo-os, e não habitando a casa alugada do vizinho invejado, não seria um absurdo. Não seria uma ofensa a "casta". Do jeito que está acontecendo assusta, é como se olhar no espelho e não gostar do que vê. O problema desse tipo manifestação é que o rótulo não tem conteúdo. Quem se diz - nesse caso - a favor da educação, planejamento, segurança e etc, não está preocupado com o sistema educacional, segurança publica ou planejamento urbano. E sim em limitar o pobre de frequentar os mesmos lugares dos mais "ricos de espírito". Ninguém está preocupado com a sociedade. Ou alguém é contra a educação?

Por fim, e mais curioso, até com um ar cômico, é ver as coisas se invertendo. Nobres moradores de Jurerê Internacional subjugando seus pares, segmentando a nata. Agora se sentem ofendidos com os mal educados que freqüentam a casa ao lado e fazem questão de se separarem pelo que são (espiritualmente superiores), e não pelo que tem como desde sempre. Assustados com a realidade dos demais bairros já há muito tempo, que por sua vez parecem estar melhorando. Quem diria um dia ler um cidadão de Jurerê Internacional preocupado com o custo de vida. Os nobres moradores têm alugado suas casas pra custeá-las durante o ano, tem gente que sai de casa pra morar em pousada por 1 mês, outros porque querem viajar e por aí vai. Isso foi amplamente divulgado nos jornais locais. Estão muito preocupados também com o lixo nas ruas e nas praias, deixados pelos bares da orla e pelos nobres freqüentadores. Provavelmente isso é arte dos "pobres de espírito" também. Talvez isso justifique o esforço pra manter a organização social pelo poder aquisitivo, e a área vip é uma das ferramentas, só não sei quanto mais vai durar. Antes eram cercadinhos, os pobres entraram, depois camarotes, os pobres passaram a frenquentar, aí se passou a exigir o nome na lista, pois tem sempre um danado com amigo influente que bota um monte de pobre pra dentro. Agora a moda é festa exclusiva em iates na praia do Tinguá em Governador Celso Ramos. Duvido que a turma já não esteja se juntando pra comprar um bote. A poucos anos atrás tinha Ferrari e Jaguar boiando numa enchente em jurerê. Amigo, o mundo vai acabar em 2012, só pode! E não adianta fugir pra Europa, lá ta pior, eles parecem nós no passado: Estão quebrados, são o melhor futebol do mundo e estão curtindo "Ai se eu te pego".


Algumas pessoas em Jurerê Internacional se vê de forma inatingível, com uma superioridade espiritual de invejar Dalai Lama. Não acham que problemas cotidianos possam interferir na sua doce estadia terrena. Não acha que o país comemorando a 6ª economia sendo o 84º IDH signifique alguma coisa, ou possa ter algum reflexo no seu dia-a-dia. Jurerê Internacional tem problemas? O resto da cidade tem problemas piores e a muito tempo! Ou acham que os bairros pobres são aquela maravilha que o Jornal do Almoço mostra? Quando um colunista bem popular na região disse "que hoje em dia qualquer miserável pode comprar um carro sem ter lido ao menos um livro" (ou algo nesse sentido) todos se sentiram ofendidos. O único problema desse comentário é que atirou em quem viu e acertou quem não viu, acabou demitido. Os miseráveis em questão estão na alta sociedade, são influentes e tem alto poder aquisitivo.

ps.: Esse trecho é especial: "...Não sei de onde você é e nem onde mora mas se morasse em um local como se tornou Jurerê.."

Anônimo disse...

Eu não sei porque tanta lamentação. Adoro jurerê internacional, suas ferraris possantes com o seu ronco intrépido e excitante; mulheres lindíssimas, verdadeiras deusas que só com muito dinheiro se vê por aí. Pobre não consegue ser tão linda, não adianta tentar. Homens que exalam milhões pelos poros. Famílias chics, elegantes. Crianças nascidas em berço de ouro. Ver isso de perto é uma dádiva. Devemos agradecer que pessoas tão especiais venham passar as férias em nossa ilha. Isso, convenhamos, é bem melhor do que aqueles hipies que invadem as praias do sul da ilha. Quem não gosta de muito dinheiro? Vamos parar de demagogia, meu Deus. Viva os ricos!

Christiano Celmer Balz disse...

Anônimo: Não estou certo se é sério ou troll...

Alessandra Knoll Pereira disse...

quando o tal Rica diz-se um morador autentico de jurerê, porém percebermos que ele mora lá apenas há 5 anos, fico achando tudo meio contraditório. Eu penso, humildemente, que poderíamos (eu e você) falar de como coqueiros caiu numa desgraça e está cheio de mendigos e assaltos em casas de idosos... porque nascemos aqui e crescemos aqui... acho que sou uma moradora autêntica de coqueiros, assim como minha avó que mora aqui desde que veio de Rio do Sul há uns 50 anos quando a estrada aqui era de chão batido, de modo que fico ofendida da forma como ele fala do povo do interior, pois estes praticamente colonizaram esta terra quando isso era um desterro. A dona Brazilia, mae do cacau, talvez entenda o que quero dizer, ela deve lembrar bem desta época. Tento não ser arrogante, mas não consigo deixar de pensar no que o senhor Ricardo pode entender de Jurerê em cinco anos de estadia? como se diz aí no ditado popular "esse Rica ainda vai dar bom, mas tem que aprender muito ainda" Penso que ricardo é um que chegou tarde pra festa, falando daquele que chegou mais tarde ainda... deveria ter pensado melhor antes de cair nas graças do desejo de ir pra um tão (falsamente) propagandeado paraíso que seria jurerê.

Ricardo Ribas disse...

Vocês tem toda razão, só mesmo sendo um pastor ou um tolo, como eu, pra falar palavrões como educação e respeito com alguma confiança. Ninguém me chama de Rica, o Cacau que inventou essa maldita alcunha (coisa de colunista dos anos 80). Não me referi em nenhum momento no meu post aos novos ricos, nem à falta de ricos, são justamente eles que dão o mau exemplo aqui. E me preocupo com o IDH e com a corrupção, trabalho nessa área, inclusive, Gilberto (errastes em todas as tuas suposições sobre mim, mas tá engraçado teu comentário). Morei no Bairro Santa Mônica desde 1974 Alessandra Pereira Knoll, sou autêntico sim mas de Jurerê nada é autêntico. Fui na reunião do CONSEG aqui e 80% do tempo é gasto com o Leandro Adegas defendendo seu direito de cobrar pra sentar no lounge na areia da praia. Mas aquilo é pra quem ser político, eu não queria nada com meu post, fui sincero, mas vocês tem razão, eu não sei onde eu tava com a cabeça - por mais que eu tenha financiado esse apê em 20 anos e meu pai tenha pago ele duas vezes porque a ENCOL faliu, eu moro num lugar de festas né - seria mais ou menos como alguém ir morar no Bela Vista e reclamar na TV que lá não tem Ferrari, P-12,..., nonsense total, acho q o esquema é me mudar ou aguentar o tranco no verão. Mas me deram dois tiros pra tentar roubar minha moto quando eu vim morar, foram coisas assim que me fizeram escrever pra mostrar o outro lado de JI. Desculpem se os ofendi, sugiro que leiam meu outro post no Blog do Cacau, Abraço a todos, Ricardo Ribas