20.9.12

Carta de outro leitor

Sra. C. -Editora do Diário do Leitor.

A respeito do "assunto" supra, enviei-lhe correspondência protestando contra o pronunciamento do colunista Victor da Rosa, pois achei-o inconveniente, de mau gosto e, sobretudo, preconceituoso contra toda uma categoria profissional, na qual NAO ME INCLUO, e, portanto, apesar de advogado, não advoguei em causa própria. Esperava ver, pelo menos um resumo (pois escrevi bastante) de minha manifestação, junto com outras que, certamente adviriam.

2. Observei, no entanto, que V.Sa. determinou a publicação de 3 comentários favoráveis à opinião do colunista. Devo presumir que ninguém defendeu o trabalho dos músicos, ou algum "ésprit de porcs" impediu a democrática discussão do tema?

3. Para que nem a senhora nem o colunista pensem que a opinião publicada é unânime, anexo cerca de 50 manifestações em Facebook de um dos que se considerou injustamente atacado.

4. Minha esperança é que os leitores do DC saibam que existem opiniões contraditórias; e, especialmente, o articulista, que pode até rever que uma "generalização" nem sempre é justa, e que, a partir desse convencimento, possam se manifestar ou ver suas manifestações (se houve) mostradas.

5. E´ possível que não mais interesse ao DC essa discussão, por já haver produzido os efeitos esperados, e o assunto seja considerado "jornal de ontem".

6. Aí, só cabe a tristeza minha dessa contestação, que não destoa do que seguidamente acontece na vida real. Mas não menos deprimente e lamentável...

Cordialmente, A.

*

Caro A.

Como esta carta está copiada a mim, sinto-me também no dever de respondê-la.

Primeiro gostaria de dizer que sou absolutamente a favor da discussão e da discórdia, caso ela exista. Inclusive na terça-feira mesmo, no meu blog, publiquei uma das dezenas de cartas que recebi, com minha resposta abaixo. Sempre faço isso, omitindo o nome do autor, quando há polêmicas ou falsas polêmicas, como julgo ser esta última. Não publiquei todas as cartas por motivos óbvios. Publiquei também a grande maioria dos comentários. Muitos comentários, assim como muitas cartas, eram impublicáveis. Imagino que o Diário do Leitor tenha recebido muitos comentários impublicáveis também, não apenas pelos xingamentos, mas também pela falta de argumentos e pela redação excessivamente incorreta. Felizmente, A, não é o seu caso. Caso tenha interesse em ver meu blog, fica neste endereço: www.victordarosa.blogspot.com

O que posso dizer sobre o item 4? Em minha opinião, a reação, feita principalmente por parte dos músicos, nasce em grande parte de uma série de equívocos de leitura. Digo "por parte dos músicos", e não pela "classe musical", pois são duas coisas diferentes. Não é exigido que todo mundo tenha senso de humor, sem dúvida, mas para ler um texto é preciso, pelo menos, que o leitor domine algumas ferramentas cognitivas que geralmente são ensinadas na escola, às vezes até no ensino fundamental. Em minha crônica - e é preciso saber, antes de mais nada, o que é uma crônica - expressei um ponto de vista absolutamente pessoal, do começo ao fim, narrado de maneira mais ou menos ficcional. Você diz que sou um articulista; não sou articulista, e sim cronista.

De resto, não gosto mesmo do que se convencionou chamar de "música ao vivo", gênero descrito no primeiro parágrafo de minha crônica, o que não significa naturalmente que não gosto de música. E se não gostasse, aliás? Isso seria um desrespeito? Não há generalização alguma em minha crônica. E não há preconceito algum também. Preconceito é quando você descreve algo que não conhece. No caso, estou descrevendo algo de que já estou exausto de conhecer. Minha crônica, aliás, é uma declaração de amor à música, mas não vou nem entrar nesses méritos aqui, naturalmente.

No meu blog, eu já disse que não quis ofender os músicos, e acho realmente que não fiz isso. Se uma pessoa não gosta de stan-up comedy, não significa que ela não gosta de teatro. Se alguém não gosta de Sidney Sheldom, não significa também que não gosta de literatura. E por aí vai. Eu adoro música e os bons músicos, e isso até mesmo algumas de minhas crônicas anteriores podem comprovar. 

Cordialmente, Victor da Rosa

9 comentários:

Pádua Fernandes disse...

Prezado Victor da Rosa,

muito boa resposta, muito equilibrada. Não vejo problema alguma na crônica, mas sei que suscetibilidades podem ser despertadas por qualquer motivo.
Abraços,
Pádua

Victor da Rosa disse...

Obrigado pela mensagem, meu caro. Abração, Victor.

Anônimo disse...

hehe tô voltando a me divertir por aqui.
bisou

Fabricio C. Boppré disse...

Pô, finalmente uma resposta decente, ô mandurico. As respostinhas diplomáticas tipo aquela anterior não são dignas de ti. Agora, que é meio triste a gente ver o nível de analfabetismo funcional dessa nação, ah, isso é.

Fabricio C. Boppré disse...

Victor, imagina se tu escreve numa crônica aquilo que certo vez tu disse para mim, que achas a música uma arte menor. Serias assassinado pelos cantores de bar de Florianópolis!

Victor da Rosa disse...

Não inventa. Eu nem disse isso.

Anônimo disse...

Pior que música ao vivo, só mesmo advogados com texto todo engomadinho. Será que o "dr" acha que está escrevendo uma petição? Tenha dó.

Anônimo disse...

Músico de bar bom é músico...
deixa pra lá, como é mesmo essa famosa frase?

Anônimo disse...

Se metade desses caras se mobilizasse a comentar um terço das bobagens realmente jornalísticas que aparecem nesse jornal, olha, essa cidade não seria a mesma.