30.10.12

A alegria das manchetes espetaculares

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por Victor da Rosa
crônica publicada no Impedimento


Que me perdoem os manés, os paulistas, os mineiros e os catalães, mas o time de futebol sensação de 2012 é o Criciúma. E defendo esta convicção não apenas pela liderança na série B e a provável ascensão do clube ao panteão do futebol brasileiro, e sim pelo cruzamento magnífico entre libido solta, autoconfiança e boa dose de sorte desta equipe do Tigre, igual acontece com aqueles caras meio feios que, vez ou outra, mesmo sabendo de seus próprios limites, acabam namorando a garota mais bonita da festa.

Pois as evidências nos fazem acreditar que o sucesso do Tigre, por incrível que pareça, se deve ao absoluto fracasso de seu sistema defensivo. Como pode? Vou explicar. O time comandado por Paulo Comelli está fazendo uma bela campanha e por isso poucos comentaristas esportivos olham para os defeitos da equipe, o que é natural, mas a verdade é que os jogadores do Criciúma já entram em campo sabendo que o time vai tomar pelo menos um gol. Cientes disso, os laterais correm o dobro, os meio-campistas o triplo e o ataque, sobretudo, se mobiliza para fazer dois ou três gols por jogo, ao invés de apenas um. Não há nada errado em ter limitações. O erro consiste em não conhecê-las.

Os números, estes conselheiros maiores das verdades absolutas, não me deixam mentir. O Criciúma tem o melhor ataque não apenas da série B, mas de todas as séries. Para que o leitor desavisado tenha uma ideia do quanto o ataque do Criciúma está mobilizado com a ideia de fazer mais gols do que a defesa sofre, basta olhar as estatísticas. São 63 gols em 29 jogos. E os números da zaga do Criciúma, são ruins mesmo? Bem, pra ser ruim ainda falta um pouco. A zaga do Criciúma tem números de time rebaixado, com 44 gols sofridos.

A equipe, aliás, já começou o campeonato vencendo o Guaratinguetá por 4 a 1 e depois o Bragantino por inesquecíveis 4 a 3. Na quarta rodada, depois de três vitórias, o Tigre foi até Belo Horizonte e tomou três sapecadas do limitado América-MG, que depois fez mais quatro aqui no Heriberto Hulse. Foi quando um amigo meu, torcedor tradicional e fanático do Tigre, mesmo com o time ainda nas cabeças, começou a prever: “Pronto, acabou a alegria! Agora é Criciúma rumo à série C…”. A experiência me diz que o torcedor do Criciúma, além de apaixonado, é também um eterno desconfiado.

Será pra menos? Com esta equipe do Criciúma em campo, não importa contra quem jogue, há sempre a expectativa daqueles placares elásticos que aconteciam nas partidas de 40 anos atrás ou ainda acontecem nas tradicionais peladas de solteiros contra casados. E as grandes emoções não acabam aí, pois Zé Carlos já deve ter feito uns oito gols aos 48 do segundo tempo. E o frango de Michel Alves? Não deixa de ser também uma cena marcante deste time que se tornou a alegria das manchetes espetaculares.

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