12.11.12

Homem é homem

Por Victor da Rosa
crônica publicada no Diário Catarinense



Depois da invenção de chuteiras coloridas, depilação masculina e da calça skinny para homens, que é aquela mais justinha no corpo, as mulheres passaram a ter dúvidas frequentes sobre a opção sexual do sujeito que elas acabaram de conhecer na festa descolada de Balneário Camboriú ou no cursinho rápido de francês. Na verdade, mesmo depois de ter conhecido melhor o rapaz, e às vezes mesmo depois de uns beijos ou de um sorvete na praça, tanto faz, a dúvida é capaz de permanecer, teimosa que é.

Há casos extremos em que a dúvida permanece também depois do pedido de namoro e até de casamento, mas – como disse – são casos extremos. Se a pessoa quer se enganar, aí já é problema dela, e não nosso. Por outro lado, há casos em que, só porque o rapaz tem uma foto de David Beckham pregada no guarda-roupa, as moças já acham que é biba, e isso não tem nada a ver. Enfim, trata-se de um debate recorrente nas rodas sociais femininas, que sempre se sustenta justamente em torno da mesma pergunta, e que pode se dividir em outras duas só pra colocar ainda mais suspense na coisa:

 – Mas e aí, que tal? Qual é afinal a do gato?

 Há mulheres que possuem o “gaydar” apurado – “gaydar” é uma espécie de radar que capta a orientação sexual do outro – mas nem todas as mulheres são assim, e mesmo as espertíssimas também se equivocam em seus juízos, pois malandragem, como o futebol e o amor, não é uma ciência exata. De resto, o “gaydar” se baseia quase que exclusivamente em pistas óbvias, estereótipos, trejeitos – embora o óbvio, minha gente, também seja importante, ok? É bom lembrar, portanto, que prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Mas vamos à parte útil da crônica.

Há algumas situações em que o macho, mesmo que seja um metrossexual convicto, mesmo que dance Macarena até o chão, passe esmalte verde na unha e curta Lady Gaga – sim, existem heteros que fazem tudo isso – há situações em que o sujeito acaba se entregando que é macho, no bom sentido do termo. Por exemplo, apreciar cheiro de gasolina é um indício forte, mas não definitivo. Outro indício forte é excesso de velocidade no trânsito. Todas as bibas de que tenho notícias, mesmo as mais doidinhas, são prudentes dirigindo. O gosto pelo futebol, por outro lado, não indica absolutamente nada, pois o futebol é um esporte de massa que atinge a todas as categorias humanas.

Se entre as leitoras existe uma mulher preocupada, passando por uma situação de desconforto, pois identifica o próprio muso em pelo menos duas das situações descritas acima – Macarena, unha verde, etc. – o conselho é o seguinte: convide o rapaz pra fazer compras com você. Pode ser no supermercado, mas em loja de roupa é melhor. Escolha umas dez ou quinze peças, entre no provador e peça para que ele espere no lado de fora. Prove cada uma das peças com parcimônia e solicite sempre sua opinião. Se, depois da quinta peça, o rapaz reclamar, fingir que está falando no telefone e sair a passos lentos ou, educadamente, fugir para o setor masculino, comemore; é macho. Caso contrário, aí só entregando na mão de Deus.

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