7.1.13

A festa mais bonita da cidade

 Por Victor da Rosa 
publicado no Diário Catarinense



 Há quase dois anos, depois de um “after criativo realizado às seis horas da manhã”, a Salão foi criada por dois amigos que gostam de música brasileira e de dormir tarde. Aos poucos, a festa foi se tornando referência no circuito alternativo de festas da capital – sempre tem alguém no dia seguinte reclamando que não conseguiu entrar na festa, por estar lotada. Durante o mês de janeiro, a Salão acontece aos domingos, no Blues Velvet Bar, a partir das 22h30m. E é bom chegar cedo. Danilo Dutra, conhecido na festa como Pai Danilo da Coreô, estudante de moda e um dos fundadores da Salão ao lado do DJ Tiago Franco, fala sobre a festa.

 Victor – Como surgiu a Salão? E por que esse nome?
 Danilo – A Salão foi criada num "after criativo" às seis da manhã e duas semanas depois lançamos a festa, no dia 06 de fevereiro de 2011. Eu queria um sambão de domingo no Blues Velvet, mas não sabia fazer nada nesse ramo de festas, então depois de horas de conversa com o Tiago, ele disse que seria mais viável abrir o leque de gênero musical, e assim nasceu a Salão. E o nome vem por conta da dança de salão, dessa tradição dos bailes. Festas nos salões, em cidade de interior, até hoje é assim. E quem nunca passou um carnaval no salão do clube, ao som de marchinhas?

 Victor – A Salão acabou aparecendo no meio de um circuito principalmente de rock, que dava pouco espaço pra música brasileira, e logo a festa se tornou uma referência em Florianópolis, sempre lotando, etc. O que a Salão tem que as outras festas não têm?
 Danilo – A Salão é uma festa leve, gostosa, alegre, e isso influencia muito. Outro ponto importante é essa coisa nostálgica da festa, de ouvir aquele Chico que você ouvia com seu pai, aquela Bethânia que tocava na vitrola da tia, esse cheiro de infância boa. E de um tempo pra cá, o Brasil virou trend, sediando Copa, Olimpíada, no cinema os vampiros vem passar lua de mel aqui. Nós, brasileiros, voltamos a gostar do Brasil. Também acho que a música brasileira ultimamente tem dado um banho nas internacionais, nossa música tem conceito, vida, e fala da nossa realidade.

 Victor – O repertório da Salão ao mesmo tempo privilegia o que tem de mais conhecido na música popular brasileira, como Chico e Bethânia, mas também procura tocar novos compositores, coisas menos conhecidas. É isso?
 Danilo – Sim, o Tiago e nosso querido Gustavo Monteiro, além de tocas os sucessos, também cumprem a missão de inserir coisas novas, educar os ouvidos da galera. Por exemplo, a edição desse domingo [ontem] será especial das novas vozes brasileiras, pra valorizar também essa nova galera que está mandando muito bem, como Criolo, Felipe Catto, Marcelo Jeneci, Cícero, etc.

 Victor – E sobre o público da Salão. Qual você acha que é o perfil das pessoas que frequentam a festa?
Danilo – O público predominante é de universitários, a galera do CEART em peso. Pela UFSC também só se fala na Salão. Uma galera ligada em artes, design. Mas o público, na verdade, é bem abrangente. Na última Salão, uma amiga disse que ia levar a mãe. E os sets gravados pra Salão, dou todos pra minha mãe e ela adora ouvir no carro. E quando a galera mais velha vai eles gostam de dançar a dois, como dança de salão mesmo. Tem que ser uma mãe que não se importe de se esfregar na galera, que não tenha medo de suor e de calor humano. É um estilo de música que não tem idade, isso parece clichê, mas é verdadeiro.

 Victor – Pra terminar, respostas curtinhas: Caetano ou Chico? Criolo ou Cartola?
 Danilo – Ai, que difícil essas!... Chico e Cartola.

 Victor – O que é melhor fazer na Salão: dançar com os amigos ou beijar desconhecidos?
 Danilo – Dançar com os amigos.

 Victor – Caipirinha, cachaça ou cerveja?
 Danilo – Os três. A cachaça pra animar no começo, a cerveja pra manter e a caipirinha pra equilibrar a glicose no final.

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