11.3.13

A gente não quer só comer

.
Por Victor da Rosa
Publicado no Diário Catarinense


















O ERRO Grupo completa 12 anos e quem ganha a festa é Jerônimo Coelho. Um churrasco. Na verdade, não é bem isso, mas quase. Nesta quarta-feira, a partir das 17h, em pleno calçadão da Jerônimo, em Florianópolis, ocorrem duas peças teatrais do grupo, sendo que uma delas é um churrasco oferecido a quem quiser chegar. Pedro Bennaton, diretor e um dos fundadores do grupo, explica melhor a história.

Adelaide Fontana é um monólogo mais ou menos convencional, mas e o Churrascão, do que se trata? Vocês servem o churrasco de graça na rua e as pessoas podem chegar? E fica bom mesmo esse churrasco? 

 Pedro Bennaton – O Churrascão é um acontecimento que leva para o espaço da arte algo corriqueiro e banal: um churrasco assado como forma de homenagear alguém. Trata-se de um ritual social rotineiro que usamos para realizar uma intervenção urbana, pois fazer churrasco pressupõe toda uma banca, de quem é o dono da casa, quem irá assar a carne, quem ficará a cargo das bebidas, os convidados que irão animar o encontro, os outros que não aparecem etc. É uma ação que transpõe este ato corriqueiro ritualizando-o no encontro físico e simbólico com as pessoas da cidade. Como na vida, cada pessoa do grupo tem uma função para que a gente possa servir o Churrascão.

 Poderia explicar sobre a “inauguração” da Jerônimo Coelho? Será uma festa do ERRO de inauguração do novo calçadão? Aliás, ficou bonito o calçadão? 

 Pedro – O ERRO sempre homenageia alguém com o Churrascão. O anterior, por exemplo, foi uma homenagem à união do Hercílio Luz com a Anita Garibaldi. Achamos adequado, agora, lembrar o nome de Jerônimo Coelho, que recebeu o apelido de “Jerrônimo”. Calçadões são objetos de fetiche do grupo. E o calçadão ficou lindo, unindo o bizarro da arquitetura de maquiagem da cidade com o fluxo miserável do cotidiano. Bem como nós gostamos.

 Tem alguma coisa por trás desta data, 13-03-2013, que mais parece senha de numerologia? 

 Pedro – O ERRO é cabalístico em suas datas comemorativas. O grupo foi fundado em 13/03/2001, nasceu neste dia há 12 anos. A data consta em ata e está registrada em cartório, devemos respeitar as leis.
















Adelaide Fontana é uma das primeiras peças do ERRO, e mesmo assim sempre volta a cartaz. 

 Pedro – Nem tudo é escolha do grupo. Nós sabemos nos apropriar dos acasos para incorporá-los em nossa trajetória, o acaso é o que temos de mais importante. Não planejamos o nome do ERRO, ele veio até nós. Não planejamos a data cabalística de comemoração, foi por acaso. Acontece que fomos convidados pra apresentar Adelaide Fontana nesse dia cabalístico. Adelaide é a namoradinha de Florianópolis. As pessoas já se acostumaram com ela. Já o Churrascão, por se tratar de ato comemorativo, estava marcado previamente, e churrasco nunca se desmarca. Estamos unindo o útil ao agradável. O grupo pode ser considerado velho e por isso alguns trabalhos já carregam um ar de nostalgia, o que é perfeito para uma comemoração de aniversário.

 O ERRO ficou conhecido por seus trabalhos questionadores. O que fazem pra não envelhecer? 

 Pedro – O segredo para uma boa velhice é saber que você pode morrer a qualquer momento. Não será fácil atingir o centenário. Ser velho ou jovem não é uma questão para o grupo. Tentamos nos desfazer das responsabilidades e nos manter livres. Há muitos jovens que são velhos porque dão um peso grande às responsabilidades. Somos responsáveis pelo que criamos, mas sem deixar isto acabar com a surpresa, o risco e o fracasso. Sem a experiência do fracasso é impossível chegar ao que é chamado de maturidade. Enquanto o grupo puder e quiser se manter inconsequente, não terá problema envelhecer.

* *


Nenhum comentário: