18.3.13

A hora e a vez do conto

Por Victor da Rosa 
Publicado no Diário Catarinense


















Durante a semana, o teatro do SESC Prainha, em Florianópolis, será “a casa do conto fora do livro”. Em sua terceira edição, a primeira na cidade, o Festival do Conto vem se fortalecendo como um dos principais eventos literários do sul do país. Organizado por Carlos Schroeder, um “escritor-agitador”, como ele mesmo diz, o Festival conta com uma programação variada (debates, leituras, oficina, show musical) e com nomes fundamentais, como o do mineiro Luiz Vilela, que abre os trabalhos amanhã, às 20h. Abaixo, Schroeder fala do Festival e convida o público a participar.

 Por que um festival sobre o gênero conto? 

Carlos Schroeder – O conto foi praticamente expulso das pautas jornalísticas e das grandes editoras entre o final de 1980 e o início dos anos 2000. Vários prêmios ignoram o gênero, como o Prêmio São Paulo, ou fazem a asneira de misturar conto e crônica, como o Jabuti e o Portugal Telecom. Mas as coisas começaram a mudar um pouco, graças à tática de guerrilha das pequenas editoras que sempre deram espaço aos contistas. Muitas pessoas confundem a brevidade do conto com simplicidade, é um erro. Há contos mais profundos e complexos estilisticamente do que muitos romances. O festival quer dar visibilidade ao conto e aos contistas, chamar atenção para o gênero.

 O que as pessoas podem esperar das conversas com os escritores? Eles devem falar de conto, ler textos, responder perguntas? 

 Carlos – Eu nasci numa pequena cidade do interior, com menos de 10 mil habitantes, e consegui ver um escritor ao vivo quando era quase adulto. Então acho muito importante esse movimento de circulação de escritores pelo país. Os debates serão focados na produção dos autores e também no método de trabalho deles, sempre buscando outro olhar sobre o conto. Também não há uma predominância regional ou estilística na escolha dos escritores, eles são diferentes entre si, o que torna o festival um verdadeiro panorama do conto brasileiro. Todas as mesas terão mediadores para deixar a conversa o mais descontraída possível, é melhor para o escritor e para o público.

 Além do Festival do Conto, você também organiza uma excelente Feira do Livro em Jaraguá do Sul. Como você avalia o trabalho que vem fazendo? 

 Carlos – Eu sou um escritor-agitador, gosto de fazer eventos e barulho na internet, gosto de compartilhar informação. Cultura é pra circular. Eventos literários aproximam os leitores do livro, do autor, da paixão pela escrita. Algumas pessoas criticam a FLIP, mas olha o que ela fez ao Brasil. Graças à FLIP surgiram centenas de eventos, ela mostrou que é possível fazer eventos para grandes públicos e com qualidade. Se eu pudesse, faria um evento literário em cada grande cidade catarinense. Nos últimos dois anos, Jaraguá teve três bons eventos literários por ano, trazendo autores importantes: a Feira do Livro, o Festival do Conto e a Semana do Livro. Que cidade do Estado tem isso?

 Como você avalia a política do Estado para a literatura? E como recebe o interesse do SESC pelo evento? 

 Carlos – O SESC hoje é a única grande rede de difusão cultural do nosso Estado, já que os órgãos culturais do governo são verdadeiras piadas, não conseguem fazer nada, nem manter um edital. Se tem uma coisa que me envergonha são as políticas culturais do nosso Estado. Bom, mas esperar o quê de um estado que ferra com os professores? Minha mãe foi professora durante trinta anos, eu sei o que é isso. O SESC é um oásis no meio de tudo isso. E a parceira e co-realização deles no Festival sinceramente é uma honra.

No festival, haverá também uma homenagem ao escritor Silveira de Souza. Poderia falar um pouco disso?

 Carlos – A partir desta edição, passaremos a homenagear sempre um contista catarinense. Silveira de Souza é um escritor de primeira grandeza, que mergulha fundo nos anseios humanos. Espero que seja cada vez mais lido e reconhecido, é um dos melhores contistas do pais, sem dúvida, alguém que merece todas as homenagens possíveis.

 Acesse a programação completa: http://www.festivalnacionaldoconto.com.br


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