20.5.13

Sólo quiero verte bailar


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Por Victor da Rosa
Publicado no Diário Catarinense

















Estive no Rancho do Neco, na ponta do Sambaqui, no dia em que o cantor uruguaio Jorge Drexler estava também, e vice-versa. Como foi divulgado, a ida de Drexler ao Rancho fez parte de uma espécie de combo que incluiu também 1) surf na praia do Moçambique, como comprova uma foto em que o cantor aparece fazendo hangloose ao lado de uns surfistas 2) passeio ecológico na Lagoa da Conceição, de acordo com outra foto em que ele dá comida a um belo tucano e 3) a ida ao show de Preta Gil em Jurerê Internacional, da qual dispensarei maiores apresentações. Enfim, muita festa, natureza e grana pra gasolina. Sorte dele, e nossa também, que nenhum policial lhe parou pra fazer teste do bafômetro.

No Rancho do Neco, Drexler subiu ao palco e cantou quatro músicas, todas brasileiras, todas bastante óbvias também, como Rita e Chega de Saudade, com sotaque espanhol levemente embalado por umas cinco caipirinhas, mão esquerda no coração pra expressar seus sentimentos e um arremedo de samba no pé. Estava bonito! Quando foi apresentado pelo músico Luiz Meira como “um dos maiores músicos da atualidade”, as pessoas ficaram olhando ao redor pra ver se o Zeca Pagodinho aparecia. Ninguém tira da minha cabeça que a maioria das pessoas ali nunca tinha ouvido falar no uruguaio, até porque ele já estava zanzando fazia quase meia hora no Rancho sem ser importunado por ninguém. Só minha tia Rosette Rosa, que está desempregada e por isso tem tempo de ficar olhando revistas de fofoca, tinha reconhecido o músico.

Agora vamos às reflexões.

Assim que Drexler subiu ao palco, as pessoas tiraram seus smartphones do bolso, consultaram o Google, notaram que o músico tem quase 200 mil seguidores no Twitter e aí sim se deram conta de que estavam diante de uma celebridade internacional. Então uma pequena multidão disfarçada de fãs incondicionais parou de dançar, cercou o pequeno e simpático palco do Rancho e teve até uma mulher, felizmente não identificada, cuja principal diversão era jogar pro alto pétalas de flores, que invariavelmente caiam na cabeça do músico.

A verdade é que, fazendo a soma dos imprevistos, a rápida aparição de Jorge Drexler no Rancho do Neco provavelmente foi muito mais legal do que o show inteiro que ele fez no Teatro do CIC dois dias antes, cujos ingressos estavam custando entre R$150 e R$190. Foi mais legal para o Drexler, que fez um show espontâneo, cheio de sentimento e pra gente sem dinheiro, o que sempre deixa a coisa mais animada; mais legal pra plateia, que mirou na Ressacada e acertou no Maracanã; e mais legal, finalmente, para as duas mulheres que passaram o resto da noite disputando o “bonitão”, fato que merece os últimos parágrafos desta crônica.

Em primeiro lugar, Jorge Drexler não é tão bonito assim, pessoalmente, como se pensa. O fato logo chamou a atenção da minha tia, que não poupou as mulheres mais satisfeitas da roda e disse que no Trintão tem um monte igual a ele. Um homem famoso, quando dá um caldo, já sai passando por lindo, mas tem que haver critério, senão daqui a pouco todo mundo vai sair dizendo que Michel Temer é poeta, Lobão é antropólogo e Marilena Chauí é filósofa. Polêmicas à parte,  Drexler não é de se jogar fora.

Quando chegou no Rancho, o cantor passava fácil por um professor de cursinho do Energia. Caminhava de lá pra cá sem ser importunado, batia papo com os amigos e até foi ao banheiro; aí depois do show virou uma confusão e as mulheres mais fogosas da noite, sumidas até então, saíram todas da toca. Uma loura logo foi tirando o músico pra dançar e tascou um portunhol no seu cangote; depois foi a vez de um morena, que não sabia se dançava ou se ria para as amigas, enquanto a loira ficou esperando de braços cruzados; e mais umas três ficaram em volta, sondando, como aquele bom atacante que se aquece no banco de reservas e aguarda uma oportunidade única pra entrar e decidir.

Verdade também que Jorge Drexler, durante todo tempo, se comportou como um fiel cavalheiro uruguaio, e soube tratar a situação como quem diz: Sólo quiero verte bailar/ sólo quiero verte bailar...

8 comentários:

Unknown disse...

Um tanto quanto maldosas suas reflexoes, vc acha que só vc é culto, só vc e sua tia tem acesso a informacao? O fato nao ter sido reconhecido em imediato nao quer dizer que as pessoas nao conheçam o cantor e suas musicas, achei de uma grosseria seus comentarios tanto menosprezando as pessoas que estavam lá, quanto com o cantor. Eu estava naquela noite, adorei ver ele cantando nossos clássicos do samba, tambem nao o reconheci. E isso nao quer dizer que eu nao conheça o trabalho dele, pelo contrario, tenho cds e adoro... Minha amiga foi ao show no cic, e tb nao o reconheceu (no mesmo finde semana)...O senhor poço de cultura dono deste blog nem deveria frequentar um lugar como o rancho do neco. Que é do meu amigo, simples pra cacete, de pessoas simples, livres de esteriotipos,leves e nem por isso vazias como vc as colocou...

Victor da Rosa disse...

Meu caro, adoro o Rancho do Neco, frequento o lugar há anos e não me referi a ninguém como vazio. Também adorei o show do Drexler no Rancho, acho que isso está bem claro no texto. Quanto a estereótipos, todo lugar tem. Você mesmo acabou de me dedicar uns cinco ou seis. Abraços.

Neno Moura disse...

Adorei! Um retrato muito engraçado do que pode ter sido a noite. A(o) amiga(o) desconhecida(o), tenta reler o texto sem levar muito ao pé da letra nem tomar como ofensa pessoal que vai valer a leitura. Se quiser também. "Sólo quiero verte bailar!"

Anônimo disse...

Juro que tentei, mas não consegui encontrar graça alguma nessa leitura tão pobre daquela noite. Um texto cheio de preconceitos (gente sem dinheiro), julgamentos (professor de cursinho) e inverdades (de onde você tirou as caipirinhas?hahahahahaha Opa!! Aqui foi engraçado!)certamente merecia um lugar especial na coluna do Diário Catarinense, jornal super engajado em manter o nível cultural das pessoas assim, bem desse jeitinho que o Victor da Rosa escreve.
É, caro cronista, definitivamente esse nao está entre os seus melhores textos! Por que não usar o espaço que você tem no jornal para escrever sobre assuntos relevantes, que despertem o senso crítico das pessoas?

Victor da Rosa disse...

Olha, ser sem dinheiro não é um preconceito, e sim um fato. De modo geral, pessoas sem dinheiro tendem a aproveitar melhor estas situações, igual time pequeno quando ganha campeonato. Quanto aos professores de cursinho do Energia, me inspirei nestas placas que têm pela cidade, onde estão todos meio iguais. Sobre as caipirinhas, bem, já estou explicando demais. De resto, agradeço você ter lido a crônica até o final! Dizem que quando alguém lê até o final, sobretudo a contragosto, é porque encontrou alguma coisa ali.

Unknown disse...

Vc frequenta o lugar há anos e nunca viu a senhora das pétalas que descreveu com tanto desprezo? Ela faz esse ritual das flores quase todos os domingos e pra todas as pessoas que estão felizes e se divertindo no NECO, independente de ser rico, pobre, famoso, mulher, homem. A única coisa que vejo claro no seu texto Victor, é o seu preconceito (com mulheres, professores, classes sociais, etc) e sua arrogância. Ahhhhh! fui eu quem mandou as fotos pra vc naquela noite, se soubesse que seria para este fim tão maldoso, JAMAIS lhe enviaria...

Victor da Rosa disse...

Que desprezo? Acho que deve ser um saco cantar enquanto jogam seja lá o que for na sua cabeça, mas isso não tem nada a ver com desprezo.

Anônimo disse...

É HOJE EM DIA FAZER QUALQUER PIADA COM O OUTRO É SINÔNIMO DE DESPREZO