13.5.13

Vamos à história dos subúrbios


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Por Victor da Rosa
Publicada no Diário Catarinense


O catarinense Pedro Franz, 30, ainda não recebeu o prêmio do HQMIX como revelação do quadrinho brasileiro, e sim a indicação, mas muita gente no Brasil não tem dúvida de que se trata de um dos principais nomes da nova geração. Depois de publicar sua própria história, Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo, e fazer ilustrações para as principais revistas brasileiras, como Piauí e Rolling Stone, Pedro foi convidado, ano passado, para adaptar a minissérie Subúrbia para os quadrinhos, trabalho que realizou durante “três meses dormindo mal”. Abaixo, um resumo de duas horas de conversa com o quadrinista.

Algo que acho intrigante na profissão do quadrinista é que parece não se tratar de um caminho muito natural, digamos. Como se forma um quadrinista? Como você começou a pensar que faria quadrinhos?

Desde muito pequeno eu quis fazer quadrinhos e lia tudo o que encontrava pela frente. Então comecei a frequentar oficinas de quadrinhos, acho que a primeira foi aos 11 ou 12 anos de idade, em Curitiba. Eu era a única criança da sala. Depois, fui fazendo aulas em outros lugares, em Florianópolis, depois em Barcelona, até começar a publicar minhas HQs. Eu sempre soube que ia trabalhar com desenhos e imagens, mas não sabia bem como.

Depois você foi estudar design, artes e começou a publicar seus quadrinhos.

É um bom resumo! Acho que estudar artes e design teve muito a ver com a procura por uma formação pra fazer quadrinhos. Porque quando comecei a publicar meus zines, percebi que eu ainda não estava pronto. Eu não tinha histórias pra contar.
                                                                                   
Interessante você dizer isso, pois às vezes quadrinho parece não depender tanto de uma boa história. O que você acha?

Acho que nos quadrinhos depende tanto quanto no cinema, na literatura ou no teatro. Eu tenho me interessado muito por algumas histórias que não são muito boas, mas elas crescem de alguma forma. E ao mesmo tempo as histórias me parecem tão importantes! Quanto a isso, tenho muitas incertezas.

Tem uma diferença dos seus livros anteriores em relação ao Subúrbia, que é uma adaptação da minissérie da Globo. Ali a história já chegou pronta. Como foi trabalhar assim?

O pessoal da Retina 78 [editora que publicou a Subúrbia] me convidou pro projeto. Fui ao Rio de Janeiro, conversei com o Luiz Fernando Carvalho e acompanhei um dia das filmagens. Depois trabalhei basicamente com os roteiros do Paulo Lins e com fotos da produção que fui recebendo, isso para manter uma unidade visual com a série, como figurino, locações etc.

Você sentiu algum tipo de pressão diferente, responsabilidade, estas coisas, por adaptar uma minissérie global? Como encarou o desafio?

Olha, não sei. Sendo sincero, não gosto muito da Globo e não dou bola pra ela. Se existia uma responsabilidade pra mim, era o fato de trabalhar com o Luiz Fernando e o Paulo Lins. Mas foi tudo bem. A única pressão que existiu foi o prazo, pois queríamos lançar o livro enquanto a série ainda estava no ar. Foi uma época em que dormi muito pouco, vivi mal, apenas desenhei e escrevi durante três meses.

Nos últimos anos, o quadrinho brasileiro tem despertado o interesse de grandes revistas e editoras. Poderia falar um pouco desse momento?

Tem muita coisa boa sendo feita, mas também é um momento estranho, pois há um falso hype em torno dos quadrinhos. Os quadrinhos estão nas livrarias há pouquíssimo tempo, isso começou realmente há uns 10 anos, mas é um lugar muito instável. Há gente que pode fazer coisas lindas, mas é difícil criar uma estrutura. Não há formação de quadrinhos no Brasil. Pouquíssimos bons livros de teoria da história em quadrinhos foram traduzidos pro português. Mesmo assim, leio mais coisas daqui do que de fora.




















Você tem uma lista de três ou quatro quadrinistas que foram importantes pra você? 







Eu acho Música para Antropomorfos, do Fábio Zimbres, uma HQ incrível. Cachalote, do Daniel Galera e do Rafa Coutinho é outra. O quadrinista mais importante na minha formação é um argentino, Alberto Breccia. Uma HQ que li recentemente que me impressionou muito e que eu gostaria muito que fosse imensamente divulgada é The Cage, do Martin Vaughn-James.

Recentemente, você foi indicado para o prêmio do HQMIX como revelação no desenho de quadrinhos, por ter feito Subúrbia. Como recebeu essa indicação?

Olha, prêmios têm sua importância. Acho muito importante que existam prêmios para que os quadrinistas (sim, estou falando de grana!) e já coloquei até no currículo. Mas é só isso, uma bobagem. A única forma de ser coerente com prêmios é meio como fez o Thomas Pynchon, contratando um ator pra ir no lugar dele. Mas se eu ganhar a minha mãe vai ficar feliz, então é importante de alguma maneira.

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