8.7.13

FCC, MASC e outros números


(publicado no Diário Catarinense)


Em setembro de 2008, fui convidado pela direção do Museu de Arte de Santa Catarina, o MASC, também conhecido nas rodas boêmias e eruditas da cidade como O Morto, referência mais que merecida a nosso célebre pintor, para escrever um texto sobre o X Salão Victor Meirelles. Foi uma ocasião de muitos aprendizados e algumas desilusões, já que tive a oportunidade de acompanhar todo o processo de seleção do Salão. Os aprendizados, em grande parte, deixarei de lado nesta crônica triste; fiquemos apenas com as desilusões.

Para refrescar a memória dos incautos e informar os desprevenidos, o Salão abria inscrições para todo o território nacional e premiava cada artista selecionado com R$ 5 mil, valor que consideramos justo para ambos os lados. O diretor do museu na época era mais ou menos antenado e conseguiu compor uma comissão de respeito, como deve ser, com críticos de arte, curadores e professores universitários. Foram quase mil inscritos e o orçamento, que tinha como fonte o governo catarinense, previa a participação de 30 artistas. Acontece que foram selecionados apenas 29. E isso não sou apenas eu que estou dizendo. A lista de selecionados, assim como o regulamento do Salão, continua disponível em diversos sites. Por quê?

















Sempre que leio grandes cifras envolvendo a Fundação Catarinense de Cultura, como os R$ 17 milhões gastos em uma reforma muito da meia boca feita no Centro Integrado de Cultura durante os últimos dois séculos, lembro desta historinha triste, modesta mas também verdadeira e instrutiva. Na época, a pedido da direção do Museu, a comissão foi solenemente convidada a selecionar não 30 artistas, mas 29, por qualquer motivo que ninguém de respeito jamais soube ao certo. Depois disso, o prometido catálogo com o resultado da exposição, que devia custar uns R$ 20 mil reais aos cofres públicos e já estava previsto no orçamento, ficou na promessa também. E isso no tempo em que a FCC tinha melhor fama. Onde foi parar o dinheiro?

Na semana passada, como já se sabe, quatro fiscais do Corpo de Bombeiros encontraram uma série de irregularidades no CIC, determinando que o local fosse fechado. Há problemas nas saídas de emergência, na iluminação, no sistema de alarme, nos corrimãos das escadarias e principalmente nas ideias erradas de Joceli de Souza, mais uma vez desmentido pelos laudos e finalmente demitido duas reuniões depois. E na verdade ficaríamos felizes se os problemas fossem apenas o Joceli e o corrimão irregular. De resto, apesar de supostamente investir R$ 17 milhões em uma reforma, a FCC não consegue um mísero alvará para que o CIC possa funcionar minimamente.

Seja como for, devemos agradecer a FCC por ter nos dado uma lição importante: o que está ruim sempre pode piorar. No meu tempo, o Café Matisse servia cerveja quente, mas estava sempre lá, nos atendendo mal e fechando tarde. No cinema, frequentemente tínhamos rinite, mas a sala não parecia o hall do Shopping Iguatemi. O Museu lançava algumas exposições boas e outras nem tanto, mas nada que se compare ao aluguel do MASC para artistas duvidosos. Os editais atrasavam constantemente, mas saiam do papel. Os diretores do Museu tinham ideias inexplicáveis, mas o cargo existia. No meu tempo, os detentores de altos cargos dentro da FCC, enfim, não recebiam da sabedoria popular o nome seguido pelo epíteto de 15%. Os números eram irrisórios e não me deixam mentir.

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