26.8.13

Sheik, o namoradinho do Brasil

(publicado no Diário Catarinense)


Emerson Sheik é uma caixinha de surpresas, para usar o jargão futebolístico conhecido de todos. Sem dúvida, trata-se do jogador de futebol mais imprevisível e engraçado do Brasil, único atleta nacional que poderia ser comparado, pelo menos nesse quesito, com o craque sueco Ibrahimovic, que dia desses ganhou um beijo no pescoço de um lateral argentino em plena grande área, então 1) ficou chateado na hora, 2) fez cara feia, 3) reclamou para o juiz, 4) ameaçou chamar o Piqué, mas 5) saiu rindo logo depois. Em outro jogo, aliás, ao levar uma caneta do obscuro zagueiro de um time francês não menos obscuro, Ibra saiu dando risada também, dessa vez digna de um peladeiro da estirpe de Vavá. Enfim, quase sempre está de bem com a vida esse rapaz.

Por sua vez, Sheik costuma ser protagonista de situações também controversas, porém grandiosas, como o dia em que chegou de helicóptero particular para treinar no CT do Corinthians, depois de supostamente ter acordado tarde. Nessa ocasião, ninguém menos do que Adriano, o Imperador, que por algum motivo estava treinando no dia, resmungou as seguintes palavras: “Depois o doido sou eu!” Sheik desceu do helicóptero atrás de uma das traves, deu um pique até o vestiário, vestiu-se adequadamente para a profissão e retornou ao campo como se nada tivesse acontecido. Atitude correta.



















A história de Sheik no futebol, de fato, não é lá muito comum. Vamos pelo começo. Natural de Nova Iguaçu, Márcio Passos de Albuquerque (seu nome verdadeiro) naturalizou-se qatariano em 2008, pois assim poderia atuar pela seleção local, enriquecer etc. Daí vem seu apelido, naturalmente, inventado pela torcida do Flamengo depois, muito diferente dos diminutivos e das aliterações tão características do jogador brasileiro.

Aliás, Sheik tem uma história controversa também com a própria alcunha, já que em 2006 falsificou sua certidão de nascimento alterando seu nome para Marcio Emerson Passos e diminuindo 3 anos de sua idade – não por vaidade, suponho, e sim pra valorizar seu passe. Em seu currículo, consta que o jogador teve que responder à acusação de que comprava ilegalmente carros de luxo e, mais recentemente, desferiu também uma mordida no dedo mindinho de um zagueiro do Boca Juniors, mas em ambos os casos ficou provado que nosso personagem tinha razão.

Sheik tornou-se mais conhecido no Brasil apenas em 2009, quando foi contratado pelo Flamengo. Em 2010, já jogando pelo Fluminense, entoou um funk rubro-negro no ônibus e acabou por isso indo parar no Corinthians. No ano passado, no dia em que o Palmeiras caiu para a segunda divisão, Sheik escreveu em sua conta no Twitter: “que dó, que dó, que dó da formiguinha!”, referência ao célebre vídeo que foi febre na internet durante algum tempo. Segundo dados oficiais, “Sheik é o único jogador na história do futebol brasileiro a conquistar três títulos do Campeonato Brasileiro em três times diferentes, em três anos consecutivos”, o que deve provar que o jogador, além de ter boa estrela, não dura muito tempo em clube nenhum.

Pra quem não conhecia quase nada da vida tumultuada desse pai de família que escolheu a macaca Cuta como animal de estimação, provavelmente teve alguma notícia nos últimos dias. Há uma semana, como se sabe, Sheik desferiu acanhado selinho em um amigo e publicou o registro via Instagram, provocando uma das mais inesperadas polêmicas do ano, já que o futebol continua sendo o último reduto do macho, e pegando assim um atalho para se tornar o mais novo herói nacional. Pois do resto a história cuida.


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