21.10.13

Cordel das biografias não autorizadas


(Publicado no Diário Catarinense)


Todo mundo tá cansado
Com o saco cheio mesmo
Dessa conversa fiada
Sobre o que vem primeiro
Se a vida do artista
Assim contada por inteiro
Ou o franqueza do biógrafo
Que a transforma em pesadelo















E eu que sou um poeta
Que não sigo a linha reta
Não posso ter solução
Já dizia Drummond
Então vou seguindo a rima
Como fez também Leminski
Nome raro de rimar
Mas que rima com whisky

A respeito desse poeta
Divulgou-se um caso sério
Mas que falta de etiqueta!
Não sabemos se é sincero
Ou informação suspeita
Como pode um best-seller
Escritor desse tamanho
Não gostar de tomar banho?

E Chico Buarque, quem diria
Consta em sua biografia
Fato bastante comum
Mas de suma importância
Faz o tipo do bebum
Que acorda no outro dia
Sem lembrar o próprio nome
Trocando João por Maria

Ao Djavan, que chavão!
O mesmo que descreveu
A ira do tubarão
E ninguém nunca entendeu
Deve longa explicação
Sobre os versos da canção
Em que Caetano, noutro plano
Devoraria o Leonardo

Um felizardo? Pode ser
Em tais critérios não entro
Mas não foi autorizado
Alguém perguntou ao rapaz
Se ele quer ser devorado?
Caso alguém tenha notícia
Deixo o meu nome na lista
Pra ficar atualizado

Tudo começou com o Rei
O cantor Roberto Carlos
Há tempo quer virar Lei
E terminou com bafão
Da ex-mulher do Caetano
Primeiro na internet
Depois na televisão
Onde causou maior dano

Na própria reputação
E nos deixou um legado
Depois disso, no Brasil
Ninguém é mais obrigado
A dizer que o Chico é lindo
Roberto Carlos, um santo
Tudo é divino maravilhoso
Mas nem tanto

Um comentário:

Pádua Fernandes disse...

Que engraçado! Poderia até mesmo terminar "Tudo é divino e maravilhoso - ou não!"
Eu não ousei escrever um cordel, que vai além de meu fôlego, mas fiz umas quadrinhas. Porém nenhuma com a rima divertidíssima de Leminski com whisky, que, apenas ela, já é uma biografia!
Abraços,
Pádua