Sexta-feira, Dezembro 18

Um diálogo exemplar entre uma garota ruiva e outra quase loura

Man Ray, como você gostaria de ter ouvido o que eu ouvi alguns meses atrás em Genebra, onde uma galeria da cidade velha prestava uma homenagem ao Dadá. Lá estava justamente o seu ferro cheio de pregos, e enquanto a senhora lá de cima o contemplava com gélido respeito, uma garota ruiva mantinha este diálogo exemplar com outra quase loura:

- No fundo, não é tão diferente do meu ferro.


- Como assim?


- É, com este você se espeta e com o meu você se queima.


J. Cortázar

poses & posições

ESTE POST ESTÁ SENDO REELABORADO PRA AGRADAR UM LEITOR

Quinta-feira, Dezembro 17

Sopro #18



Para abrir o Sopro, aqui

Brown e a Nike



É impossível que não bata de um jeito assim meio torto a notícia de que Mano Brown assinou com a Nike.

É quando aquele enunciado bem odioso de que "todo mundo tem um preço" passa então a fazer mais sentido.

Não que um artista não possa fazer isso ou aquilo; é que no caso de Brown fica bem incoerente. E acho que hoje o sujeito deve se esforçar, pelo menos, pra ter alguma coerência, nem que seja no próprio erro.

Brown, para mim e para a torcida do Flamengo, acho, no que diz respeito ao modo como um artista lida com o senso-comum da imprensa, por exemplo, era uma espécie de "último romântico" de todo o hemisfério sul.

Uma espécie de Michel Foucault preto e subdesenvolvido.

Agora, assim como Ronaldo e Michael Jordan, Brown é um garoto propaganda da Nike.

Vá lá, é esquisito.

Como se fosse um atleta, foi do Capão Redondo à Moema em um salto.

E com tênis novos.

PS. este vídeo aqui já anunciava algo, será?

Quarta-feira, Dezembro 16

Breve reflexão sobre o improvável

Se as minhas chances de ganhar 100 milhões na Mega-Sena são mínimas, as chances de ganhar 100 milhões de qualquer outro jeito são ainda menores.

Terça-feira, Dezembro 15

Procura-se

Esculpir o poema [sobre Virna Teixeira]

Há uma série de resenhas que publiquei em jornais de 2005 a 2007, mais ou menos, e que não encontro mais em nenhum lugar da internet. Alguns textos eu ainda gosto; outros não; outros mais ou menos; e quase sempre são muito diferentes do que estou escrevendo agora. De qualquer modo, vou republicar alguns deles por aqui, pois assim podem pelo menos ser encontrados.

O primeiro deles chama Esculpir o poema, foi publicado em 2006 no Caderno Idéias do Jornal ANotícia, de SC e diz sobre a poesia da Virna Teixeira,
aqui, que acaba de lançar outro livro de poemas pela editora Lumme, aliás.

*

Esculpir o poema

Leonardo da Vinci costumava criar uma diferença entre o procedimento do pintor e o procedimento do escultor. Para da Vinci, a relação que o pintor mantém com a matéria é uma relação de acúmulo, de acréscimo – o ato mesmo de acrescentar tinta na superfície de uma tela; por outro lado, o escultor mantém com a matéria uma relação de depuração e subtração – pois seu trabalho consiste em retirar matéria de um volume, de um corpo.

Os poemas de Virna Teixeira, assim, podem ser imaginados como pequenas esculturas no papel. Cada poema de seu último livro, "Distância", consiste numa depuração e subtração mesmo de palavras – é como se as palavras já descansassem na superfície da página e o trabalho de Virna fosse somente o de retirar aquelas que fizessem excesso, até chegar na "superfície mais viva das coisas", como escreve Adalberto Müller em pequeno ensaio que abre o livro. A poesia de Virna procura manter aquilo que o branco do papel pode oferecer de mais poético. De todo excesso que o olhar e a memória podem permitir, Virna retira dele o essencial.

Admiradora de Rachel Whiteread, escultora inglesa com quem dialoga através de "Fantasma", Virna cria uma escrita em que quase tudo é feito com precisão e espessura. Os poemas de "Distância" são de um material intenso e concreto, até pesado, pois cada palavra carrega o peso mesmo de todas as outras que não foram ditas – como em seu poema "Fotografia": "a solidão dele / na cozinha, perto // da janela // um vaso de / tulipas". Virna corta a sintaxe, desbasta elementos explicativos do poema através de elipses e apagamentos, sua frase dificilmente transmite uma idéia, e a palavra, assim, como se chamasse atenção para si, cria potência e significação. Virna diz pouco, e a palavra cria peso. Como se esculpisse o poema.

* * *

O material da poesia de Virna, num primeiro momento do livro, nasce da própria observação das coisas – experiência, por sua vez, que surge a partir de uma trajetória, um percurso estrangeiro: que é sempre outro. Assim, o primeiro poema do livro, chamado "Migrante", é quase o aviso de uma viagem fluida e por vir, o próprio livro que se inicia: "pelo mar, a última / viagem // do convés, o vento // (...) fluida, a trilha / incerta // antes que em / terra, firme / lembrança (...)". O abrir da página é também um convite para se perder nessa distância, morrer um pouco nela – a página, superfície lisa e potente, como o mar, oferece o infinito. Escrever, aqui, portanto, é também atravessar esta superfície líquida, e se arremessar nesse devir incerto que o mar proporciona e desafia – "Toda viagem é, potencialmente, a última (...)", escreve Michel Foucault.

Dessa maneira, a inserção recorrente de palavras estrangeiras, às vezes até poemas inteiros escritos em inglês, e mesmo as referências a outros lugares – Lisboa, rio Tejo, Escócia, outros – dão indicações de um olhar que encontra distâncias, busca o deslocamento, e se propõe a sair de seu lugar para buscar esta diferença. Assim, é o próprio poema que sai de sua língua para encontrar outra e, dessa maneira, possibilita sua reinvenção. Trata-se de uma escolha deliberada de exílio – ambígua, porém deliberada. E nesse percurso, a única certeza é a de que existe outro mundo que se abre aos olhos – "outro continente / viria / pelo mar".

A escrita de Virna tem a força das coisas vistas pela primeira vez, e das coisas que não poderão mais ser vistas, pois aquilo que se dá a ver está sempre escapando a esse olhar que somente passa, e perde – "o que se vê / das margens, a / rapidez das / cenas". A tentativa, em muitos poemas, é de capturar este instante fugidio através de um olhar que se mantém distante do objeto – "pudesse recortar um / instante – este (...)". Em seu livro anterior, "Visita", Virna já procurava esse movimento fugidio, esse olhar passagem, através de uma idéia de visita – como, aliás, notou Manoel Ricardo de Lima naquele prefácio: "toda visita não deve, não pode ficar, como tivesse que ir embora".

É inevitável pensar na técnica da fotografia – sua capacidade de registrar um momento único e com exatidão concreta, momento nascido do encontro, ou da distância mesmo, entre objeto e olhar. Os verbos que aparecem, poucos, quase sempre são conjugados no presente. "Distância", dessa maneira, pode ser visto também como impressões de um "tal qual vejo", de um "isso eu vejo", anotações de paisagens, passagens, descrições de olhares – enfim, um álbum de fotografias. A diferença é que os poemas de Virna também fotografam a solidão, o inverno e a noite.

* * *



Na segunda parte do livro, que Virna chama de "Entre Paredes", a distância parece ser outra. A viagem, agora, é por dentro, e a distância também se faz nesta dor. Não se trata mais de uma trajetória de olhares, e sim da distância que acontece na intimidade – tanto da casa, do carro, quanto da gente. Sobretudo, da gente. Se o lugar entre paredes poderia aparecer como lugar ideal do encontro e do entendimento, ele surge, pelo contrário, como outro modo de prolongar a distância e de fazê-la doer. Um vazio se abre, agora. Escreve Adalberto Müller: "(...) o espaço da casa, aqui, está longe de ser o lugar de uma trégua apaziguadora, em relação ao mundo lá de fora. Pelo contrário, dentro das paredes, a distância parece ser ainda maior".

Nesta parede, alguns versos se alongam, o respiro torna-se maior, pois agora a distância não se move mais – "O que fazia, falta. A sala deserta. O / piano tocado em silêncio. Quando não / havia ninguém, em casa // Pela janela passavam estações. Folhas, / outono // As horas de amor // Sombras". A distância agora é também uma prisão íntima onde o movimento não é mais possível. Ela se dilata. Os cortes anteriores na sintaxe, que apareciam como índices de um olhar que somente passa pelas coisas, até continuam, mas tornam-se menos acentuados em alguns poemas desta segunda parte. A gagueira da escrita, porém, não termina, como se quem lembrasse de um segredo hesitasse em dizê-lo. Aqui, proximidade e distância aparecem juntas, mas num estado de tensão doloroso, pois aquilo que está perto pode trazer uma distância maior.

A poesia de Virna, enfim, é também a distância de uma vida que não se recupera mais, uma distância no tempo, e que somente retorna pela lembrança. Assim, principalmente estes poemas que se fazem entre paredes, são feitos de ausências, vazios e silêncios. Muitos. Tudo que parte, quebra, se distancia, e tudo que falta – "(...) rostos / que desconhecem // o porquê – de estar / aqui", ou "uma cama vazia", ou ainda "e a fotografia / sobre a mesa / nunca enviada". Escrever, aqui, é também morrer um pouco. Daí o movimento de uma escrita que, voltando-se para dentro, "a escuridão lá dentro", e ampliando todo o silêncio de seu contorno, mesmo que discretamente, torna-se peso e também escultura.

Segunda-feira, Dezembro 14

Álbum de família

Agora meu pai fica dizendo pra todo mundo que o filho dele não acredita mais em Jesus.

Domingo, Dezembro 13

Um jogo perdido

Eu até gosto da vida social - mais do que deveria, pelo menos - mas na maioria das vezes, ou quase sempre, volto pra casa com a sensação de que sou um histérico. O que há de mais incômodo nos encontros sociais - ou, por outra: o que há de mais burguês - é que o padrão das conversas dificilmente ultrapassa o imaginário da fofoca; o ritmo alucinante de uma corrida absolutamente excessiva e desnecessária. A escrita, ao contrário, digamos, é contra-histérica: nela nada deve sobrar. Algum escritor já disse que escreve pra corrigir o desacerto contínuo que consta nas coisas e pra mim, agora, é como se só fizesse sentido escrever por conta disso - mesmo que o desacerto, neste caso, seja eu. Ou seja, escrever é também um jogo perdido. Gostaria de falar, afinal - tarefa que, a mim, de resto, sempre pareceu e continua parecendo impossível - como se estivesse escrevendo.

Sábado, Dezembro 12

Artista plástico catarinense pretende enfiar um milhão no rabo

Um dos projetos de Neno Brasil, artista plástico catarinense que é também candidato a ser o representante de SC na FUNARTE, é colocar um simpático rabinho na Ilha do Ratones. Segundo o artista, no entanto, tal projeto necessita de uma grande estrutura. Com um milhão, dizem os cálculos, o projeto artístico pode ser efetuado. Trocando em miúdos, o artista pretende enfiar um milhão no rabo.

Sexta-feira, Dezembro 11

Feira do Livro sem Livro

A Feira do Livro de FLN está lançando um novo conceito: você vai e não consegue gastar nada.

Eu estava no Centro, agora, vindo pra casa, e tive que passar no banco porque não tinha nem 1 real pra pegar ônibus. Refleti assim: vou pegar logo 50 reais, passo na Feira do Livro - era caminho - então compro uns negócios e já troco o inteiro em miúdos pra pegar o ônibus depois.

Acontece que dei duas voltas na Feira, três voltas, quatro, procurei qualquer coisa, já estava quase levando um Manual de Enfermagem Moderna, e juro que não consegui trocar a minha nota de 50.

Havia um bocado de livros infantis, outro bocado de best-sellers, uma lojinha de canetas e isso era tudo.

E eu querendo trocar a malfadada nota de 50.

No fim, descobri uma Feira de queijo e linguiça que estava rolando bem ali do lado e acabei comprando 500 gramas de muzarela.

Quinta-feira, Dezembro 10

E amanhã ...

... às 17h, na frente do McDonald's, no Centro de FLN, tem Buzkashi, do ERRO Grupo, e não precisa dizer mais nada

Uma fila enorme

Encontro um amigo no boteco, perto das 20h, andando entre as mesas e falando ao telefone como se ninguém escutasse em volta, com uma pasta debaixo de um braço, uma cerveja no outro e o aparelho celular se equilibrando entre o pescoço e o ombro:

A fila do cachorro-quente está enorme aqui meu amor, enorme!, mas já estou chegando (...)

O resto da peça cada um pode concluir por conta própria.

Três reais e setenta

video

Nota: Minha árvore de Natal custou apenas três reais e setenta centavos e é muito mais "psicodélica" - meu pai tem utilizado esta expressão ultimamente: que coisa mais psicodélica! - do que a árvore do prefeito.

Quarta-feira, Dezembro 9

Uma espécie de insinuação


ESTE POST FOI CENSURADO POR UMA LEITORA QUE O CONSIDEROU UMA PIADA DE NÍVEL DUVIDOSO.

Um dilema dificílimo

Um leitor escreveu que o último post foi o melhor do ano; outro leitor escreveu que foi o penúltimo. De minha parte, como não quero iniciar o ano de 2010 com mais esta dúvida dificílima - além de todas as dúvidas que já estão na minha conta, aliás - e como estamos entrando naquele período do ano mais propício às retrospectivas e aos grandes exames de consciência, imploro aos outros onze ou doze leitores mais fiéis que, por favor, resolvam este dilema, assim, de uma vez por todas.

Terça-feira, Dezembro 8

O que a internet faz com a gente

Eu estava lendo umas notas de Guy Debord, já cansado, quando meu pai chegou com o DVD de Cães de aluguel; comecei a assistir o filme perto das 22h no computador mesmo; depois procurei algo nos extras e fiquei uns dez minutos escutando uma entrevista com o Tarantino; achei pouco, procurei algo no google e encontrei um diálogo até divertido em que Selton Melo defende a teoria de que todos os filmes de Tarantino são um só; já no youtube, acabei caindo em uma entrevista bem chata que Selton Melo concedeu à Fernanda Young; então lembrei - influenciado pelo tédio da entrevista, é provável - que a Fernanda Young pousou nua pra Playboy dia destes; enfim, até passou pela minha cabeça procurar suas fotos no google, mas achei melhor apagar a luz, escovar os dentes e dormir, pois já era quase uma da manhã.

Segunda-feira, Dezembro 7

Convite cultural:

O QUÊ: paulada, chute, pedrada e pixação - ou toda a sorte possível de barbárie - da malfadada árvore de natal que nos custou 4 milhões de reais
QUANDO: quando você quiser, antes do natal
ONDE: sempre na avenida beira-mar norte
QUANTO: não tem preço

Domingo, Dezembro 6

Meus palpites

Meus palpites do brasileirão: o Flamengo será campeão; as vagas da Libertadores ficam com Internacional, São Paulo e Palmeiras; Santo André cai. Sobre o ultimo rebaixado? Aí já é pedir demais. E depois a gente conversa sobre quem entende mesmo de futebol aqui.

Sábado, Dezembro 5

Craques, nem pensar

Está explicado agora porque o Figueirense fez a campanha que fez em 2009; a diretoria do clube acabou influenciada pela campanha da RBS.